ê preguiça.
é bom ouvir o vento
sexta-feira, 24 de outubro de 2008
domingo, 19 de outubro de 2008
eternidade
Pele macia, refletia o sol diariamente, e sorriso destacado, era exatamente assim que todos a descreviam. Sua família era pouco influente e esse fato roubara a característica de ser lembrada por seus ancestrais. Seu indomável cabelo, por vezes mal penteado, lhe dava um ar de desinteresse. O corpo mal cuidado exibia sinuosas curvas. Sua gengiva avermelhada refletia saúde, boa alimentação e hábitos de uma geração que já havia sido esquecida, assim como a geração em que se enquadrava, ela também estava sendo esquecida.
Rotina impecável, assim como sua respiração provincial. Não estava cansada do trabalho, não sabia se poderia se cansar de algo que nem percebia mais, os dias escorriam e as horas eram apenas nomeações do tempo. Estranhamente era a única que não fazia questão de ter dias mais longos ou mais curtos, estranhamente bela e estranhamente parda, sentia a cor saindo pouco a pouco, a cada banho. Nunca parara pra pensar sobre as coisas, as coisas que sempre lhe eram estranhas, as coisas realmente eram banais, sua cidade grande não fugia muito do padrão de seu interior.
Entendia pouco de muitas coisas, e das outras entendia por extensão de uma religião. Sua religião era lembrar da capela que frequentava quando morena menina pequena, coisa muito simples, era a melhor religião de todas, chegava a suspirar ao ver seus metros refletidos, era sim alta e sonhava bem pouco, acredita-se que só queria crescer na vida, e ela acreditava que os metros a roubaram crenças.
Acreditavam demais nela, pobre moça, não precisava de tanta responsabilidade.
Ao acordar pensava em dormir, na verdade seu grande sonho era dormir sempre, e ter aquelas visões irreais a todo momento, nunca ficara "alta".
No dia 07/12/2008 às 22:00 saiu do trabalho e com seu sapato de couro de jacaré e cerca de 12 cm de salto na bolsa, no pé usava uma sandália de dedo muito gasta, foi pacientemente para o ponto de ônibus. A paciência não era sinal de qualquer reflexão sobre o dia ou sobre qualquer atitude, era apenas reflexo do seu descaso com qualquer coisa. O ônibus estava atrasado, já tinha quarenta e cinco minutos que esperava e finalmente cansara de algo, ao menos fez cara de cansada. Logo depois fez cara de nada, um semblante totalmente neutro, resolveu andar até o outro ponto, e até o próximo, até adiante, resolvera de alguma forma não esperar por nada, e paradoxalmente não era consequência de qualquer cansaço, apenas andava por existir. Chegou em uma rua escura, estreita e úmida, teve dois calafrios e não perdeu a pose de vice-campeã. Havia um homem encostado no poste tragando algo, de forma desajeitada sorriu para ele, estava desacostumada a rir. Ele rapidamente se abaixou para pegar o isqueiro e olhou para ela, apenas olhou, desviando seus olhos dos olhos da morena moça.
Ah moça, você realmente me faz suspirar ao lembrar de sua forma quadrada de andar. Entrou em casa, apertou todos os botões e parecia dia, parou e resolveu pensar, mas pensar muito, pensar como quem tinha a obrigação de pensar, pensou por um momento que pensar tanto fazia isso parecer uma tarefa que o patrão a havia incubido. Pensou nas coisas que apenas tinha conhecimento da existência, pensou no seu corpo e no seu personagem trivial. Ela, tão bela, a morena dos olhos gélidos e da pele macia se perdeu nos pensamentos, chorou cinco lágrimas, dormiu para sempre tentando sonhar nesse breve tempo o qual denominaram: eternidade.
Rotina impecável, assim como sua respiração provincial. Não estava cansada do trabalho, não sabia se poderia se cansar de algo que nem percebia mais, os dias escorriam e as horas eram apenas nomeações do tempo. Estranhamente era a única que não fazia questão de ter dias mais longos ou mais curtos, estranhamente bela e estranhamente parda, sentia a cor saindo pouco a pouco, a cada banho. Nunca parara pra pensar sobre as coisas, as coisas que sempre lhe eram estranhas, as coisas realmente eram banais, sua cidade grande não fugia muito do padrão de seu interior.
Entendia pouco de muitas coisas, e das outras entendia por extensão de uma religião. Sua religião era lembrar da capela que frequentava quando morena menina pequena, coisa muito simples, era a melhor religião de todas, chegava a suspirar ao ver seus metros refletidos, era sim alta e sonhava bem pouco, acredita-se que só queria crescer na vida, e ela acreditava que os metros a roubaram crenças.
Acreditavam demais nela, pobre moça, não precisava de tanta responsabilidade.
Ao acordar pensava em dormir, na verdade seu grande sonho era dormir sempre, e ter aquelas visões irreais a todo momento, nunca ficara "alta".
No dia 07/12/2008 às 22:00 saiu do trabalho e com seu sapato de couro de jacaré e cerca de 12 cm de salto na bolsa, no pé usava uma sandália de dedo muito gasta, foi pacientemente para o ponto de ônibus. A paciência não era sinal de qualquer reflexão sobre o dia ou sobre qualquer atitude, era apenas reflexo do seu descaso com qualquer coisa. O ônibus estava atrasado, já tinha quarenta e cinco minutos que esperava e finalmente cansara de algo, ao menos fez cara de cansada. Logo depois fez cara de nada, um semblante totalmente neutro, resolveu andar até o outro ponto, e até o próximo, até adiante, resolvera de alguma forma não esperar por nada, e paradoxalmente não era consequência de qualquer cansaço, apenas andava por existir. Chegou em uma rua escura, estreita e úmida, teve dois calafrios e não perdeu a pose de vice-campeã. Havia um homem encostado no poste tragando algo, de forma desajeitada sorriu para ele, estava desacostumada a rir. Ele rapidamente se abaixou para pegar o isqueiro e olhou para ela, apenas olhou, desviando seus olhos dos olhos da morena moça.
Ah moça, você realmente me faz suspirar ao lembrar de sua forma quadrada de andar. Entrou em casa, apertou todos os botões e parecia dia, parou e resolveu pensar, mas pensar muito, pensar como quem tinha a obrigação de pensar, pensou por um momento que pensar tanto fazia isso parecer uma tarefa que o patrão a havia incubido. Pensou nas coisas que apenas tinha conhecimento da existência, pensou no seu corpo e no seu personagem trivial. Ela, tão bela, a morena dos olhos gélidos e da pele macia se perdeu nos pensamentos, chorou cinco lágrimas, dormiu para sempre tentando sonhar nesse breve tempo o qual denominaram: eternidade.
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