Depois que a água molha,
encharca carne e osso:
corpo molhado, água, sangue.
Cabeça explode,
peito implode.
Fogos, brilho, cor.
O rio leva,
ou deixa,
me leva, rio.
Não deixo.
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
14/ 01/ 2010
Desagua em mim São Francisco,
me arrasta na areia do sertão,
lava este pranto contido que goteja.
Arrasta estas pernas inertes
que o sangue fugiu, que o vento gelou.
Rasga nas pedras mãos pálidas.
Se eu tivesse boca, Francisco.
Se eu tivesse chão,
seriam mais oito bilhetes,
sem cor, desta vez.
Uma passagem na mão.
me arrasta na areia do sertão,
lava este pranto contido que goteja.
Arrasta estas pernas inertes
que o sangue fugiu, que o vento gelou.
Rasga nas pedras mãos pálidas.
Se eu tivesse boca, Francisco.
Se eu tivesse chão,
seriam mais oito bilhetes,
sem cor, desta vez.
Uma passagem na mão.
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
o ano começou, nada se sentiu novamente na contagem regressiva. cada vez mais se firmava a idéia do reveillon como uma bela desculpa para fazer uma festa, ficar tonto, perder a noite, sorrir sem dentes. mas agora ele não estava só, algo parecia diferente, sentia a promessa de um ano próspero, um ano muito bem acompanhado, um ano no qual os dias começariam com sorrisos gratuitos e terminariam em sorrisos cansados.
sim, sabia que era um chato e inoportuno rapaz, sabia também o que dizia, poucas vezes fez comentários e se arrependeu, justamente por ter cuidado, por querer cuidar. conhecia poucas pessoas, não selecionava, apenas eram poucas as que cultivava com vontade. e, claro, se esforçava em cultivar suas plantinhas.
as datas comemorativas de um modo geral passaram a se firmar como belas desculpas, as vezes até mentiras. continuava comemorando. algumas datas eram comemoradas por desejo de festa, outras por vontade de quebrar a rotina, outras não eram comemoradas, outras, outras, outras.
na preguiça se esticava como se acreditasse que pudesse crescer indefinidamente, vontade escondida de abraçar o mundo, sono pela manhã, olhos leves, andar firme.
com alguns problemas agonias confusões, ele passou a declarar em versos e prosas as coisas que sentia, que sente.
sim, sabia que era um chato e inoportuno rapaz, sabia também o que dizia, poucas vezes fez comentários e se arrependeu, justamente por ter cuidado, por querer cuidar. conhecia poucas pessoas, não selecionava, apenas eram poucas as que cultivava com vontade. e, claro, se esforçava em cultivar suas plantinhas.
as datas comemorativas de um modo geral passaram a se firmar como belas desculpas, as vezes até mentiras. continuava comemorando. algumas datas eram comemoradas por desejo de festa, outras por vontade de quebrar a rotina, outras não eram comemoradas, outras, outras, outras.
na preguiça se esticava como se acreditasse que pudesse crescer indefinidamente, vontade escondida de abraçar o mundo, sono pela manhã, olhos leves, andar firme.
com alguns problemas agonias confusões, ele passou a declarar em versos e prosas as coisas que sentia, que sente.
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