terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

eco

é preciso, mesmo que com lágrimas sublinhando cada sílaba bem pronunciada, repetir e repetir "Que o esplendor da manhã não se abre com faca" e fica um eco repetindo durante horas com-faca-com-faca-com-faca-com-faca-com-faca-com-faca-com-faca-com-faca. isso tudo dói. e daí que dói? e daí que a repetição é minha? e que essa repetição é inerente a todos os meus doces e amargos?
dói porque chega uma hora em que você se questiona quantas vezes viu o esplendor da manhã, sem faca. sem faca. é mais fácil repetir sem-faca-sem-faca-sem-faca-sem-faca-sem-faca, é tão mais fácil (cachoeira que brota)
fica um peito aberto. a-b-e-r-t-o. e a faca que teve a ousadia de tudo dilacerar parece se envergonhar do trabalho que passa a parecer tão sujo e fétido, e some -mas leva o esplendor.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Sobre toda a nudez eu tenho a dizer que dói. O ato involuntário de pensar sobre as pessoas e os acontecimentos desnudando aos poucos, camada por camada até ver na minha frente aquela coisa nua, indefesa, quase que gosmenta de tão despida de toda-e-qualquer-possibilidade.