segunda-feira, 21 de junho de 2010

sábado, 19 de junho de 2010

cartão de aniversário

"...deixa eu te dizer antes que o ônibus parta que você cresceu em mim de um jeito completamente insuspeitado, assim como se você fosse apenas uma semente e eu plantasse você esperando ver uma plantinha qualquer, pequena, rala, uma avenca, talvez samambaia, no máximo uma roseira, é, não estou sendo agressivo não, esperava de você apenas coisas assim, avenca, samambaia, roseira, mas nunca, em nenhum momento essa coisa enorme que me obrigou a abrir todas as janelas, e depois as portas, e pouco a pouco derrubar todas as paredes e arrancar o telhado para que você crescesse livremente...."

a cada leitura encontro mais amor em cada palavra. é de cortar o peito, os olhos, um corpo por completo. parecem surgir palavras novas, mesmo o significado permanecendo intacto. parece que ao reler junto às palavras novas surgem também rosas e afagos. é muito sentimento em tão poucas linhas, chega a doer a minha incapacidade de responder. só posso dizer que meus olhos boiam, seja lendo, lembrando ou tentando contar para alguém.
Tu, que me mandaste um texto que só consigo responder com os olhos me deixaste mudo.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

ondas

às vezes uma onda que não é minha invade meu corpo, tomando-o por completo, me impedindo de fazer qualquer coisa minha. me toma em cada espaço que estava vazio, e em cada espaço que já estava preenchido. não é algo que me invade sem permissão, apenas não há tempo para pedidos e formalidades. se pedisse eu deixaria, me sinto em outro mundo, que não é melhor que esse. me sinto além do chão, além da física e de seu peso, me sinto como um elétron, indivisível, pequeno, temoroso, sem lugar definido. o que assusta, a cada invasão, é a capacidade das coisas crescerem e diminuírem drasticamente. Hoje eu tenho tempo de moldar as coisas, de esvaziar uma cabeça tão cheia, de olhar o mar, de tentar lembrar de coisas que nunca quis esquecer.
às vezes eu pensei que poderia viver o que acredito ser necessário viver, e o tempo restante cursar minha vida. e só com acontecimentos alheios acordo e vejo que tempos atrás escolhi o contrário, sem volta, pegando o resto do tempo que me sobra para cuidar de mim, é estranho ter que se contentar com os próprios restos... são tantas as coisas estranhas que acontecem aos meus olhos.

domingo, 13 de junho de 2010

vntd

Uma vontade gigante de escrever aqui, de dizer tantas coisas que estão misturadas em explosão.

domingo, 6 de junho de 2010

textos

você me diz uma palavra boba, nem percebe que falou comigo, eu escrevo um texto sem fim, com mil palavras, outros personagens, não somos mais nós, são eles, as coisas mudam de lugar, você fica grande no texto, passa a ser mais bonito, eu mudo completamente ao ponto de não existir comparações. você me força escrever o que só minha imaginação sabe, coisas que não lembrarei ao reler.
Nem sei mais, dentre tantas divagações, quantas são reais, quantas apenas foram desabafos de não-acontecimentos.
Uma palavra vira texto, acontecimentos são modificados ao meu gosto, e as coisas passam a não ter nexo. Cheguei a pensar em apagar isso tudo, mas resolvi não me punir por suas limitações.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

nado

neste mar é tudo nadar. quem vive de boia, quem vive. neste mar de árgua quem se afoga esquece, pois o nado tem que se tornar um reflexo, um ato impensado. preciso que use todos os teus músculos em movimentos vazios de sentido, preciso que pense tanto que se esqueça que é pensamento, que fuja de ti e te ache estranho. tudo que faz passa a ser reflexo de um dia ter pensado, sabe tu que não tens real tempo de pensar, fazer, sobreviver ao mundo água. nos momentos que julga vazio, de repouso, repouse nas tuas próprias águas, desaguando sobre ti todas as possibilidades, e os imprevistos, porque quando te vê no espelho não tens todo o tempo de um mundo, porque nem se sabe quanto é todo o tempo de um mundo, porque todo um mundo não há de ter em si espaço para guardar o que é maior que ele, seu tempo. e tuas lágrimas, mais água, me revelam o quão triste é nadar sem perceber, eu percebo. o mar é grande, e quem nada pensando não pensa em mais nada, é um doce aviso. tu bens sabe o que acontece, bens sabe tua vontade de nadar sem perceber, perceba que não é não pensar, é apenas não perceber que se pensa, e poderás, enfim, nadar em mim.