segunda-feira, 29 de outubro de 2007

uma linha,
tem raciocínio no ar.
tem promessa na gaveta,
tem verbo na boca.
tem verme no mato,
velho sapato

domingo, 14 de outubro de 2007

uma historinha meio veridica

No ar existia um conto de fadas, algo mais bem elaborado que "Romeu & Julieta" e até mesmo que o casal principal da novela das oito, foi algo irreal que começou a acontecer e a situação foi perdendo o controle, ninguém mais sabia distinguir o certo do errado e o fato do questionável, foi crescendo e ficando cada vez mais utópica tal situação. Um certo dia um diz te amo e o outro corresponde, selado o compromisso o conto começa a fazer mais sentido, os personagens apaixonados e os locais eram típicos de cinema norte americano. Tudo ia bem, muito bem, mas naquele conto também havia ciúmes, ciúmes é inevitável, ciúmes é amor, ciúmes é zelo, ciúmes é um relacionamento, e esse ciúme nunca atrapalhou nada, até porque ciúmes é mais comum do que amar e querer o bem de quem se ama, mas esse ciúme causou desconfiança, a desconfiança não é amiga de uma relação saudável, mas fazer o que se o compromisso estava selado? então um personagem procura esclarecer sua desconfiança, e após meses de sonhos e ilusões um balde de água congelada é jogado no livro de contos de dormir mais bonito, mais singelo e original, o conto que as crianças poderiam ouvir antes de dormir e que os adultos gostariam de ler, mas o seu fim foi muito repentino, era um beijo sonhado que se transformou em lágrimas que jorravam sem maiores explicações, se transformou em dor que não parecia ter fim, as páginas bem caprichadas com detalhes estavam pichadas por marginais da infelicidade alheia, de fim por fim, quem erra chora e quem chorou pelo erro sente fervor de viver, restando apenas cicatrizes, com ou sem dor, com ou sem mágoas, mas sempre com boas e más lembranças;




um dos meus preferidos, tem sentimento nele, sentimentos alheios. mas foi assim que escrevi.

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

deitar e sonhar (2006)

Um garoto andava por uma estrada, era no ano de 1945 e o mundo estava em conflito, mas para ele era apenas mais um dia, no qual ele estava caminhando sem destino e com sua companhia de todos os momentos, sua imaginação!

Ele pensava em coisas grandes, como virar um grande fazendeiro, poder ajudar os mais necessitados e ter um pasto verdinho cheio de caprinos, seus olhos brilhavam ao imaginar tal futuro, algo surreal para aquele garotinho, filho de pais pobres e que morava numa roça, que tinha espaço apenas para a pequenina casa e uma plantação que servia de sustento, mas ele sonhava... e se sonhava, sonhar era de graça nessa época. Mas assim como ele tinha sonhos colossais, ele também tinha sonhos de garoto, as vezes ele pensava em casar, ter filhos, ter um trabalho que desse pra sustentar o lar e um cachorro que ele sempre cuidaria como um membro a família. Daí ele pensou que seu futuro não ia dá em nada, se desesperou e começou a correr pela estrada, era visível a velocidade que os matos passavam por ele, o vento de tão forte causava dor e às vezes entrava areia nos seus olhos, seus pensamentos iam à mesma velocidade que ele estava, estavam a mil por hora e o seu coração acompanhava o movimento freneticamente, ele para e olha a sua volta, só vê mato, as pequenas casinhas tinham ficado para trás e seu cabelo estava assanhado, ele foi ate um pequeno lago que estava ali perto e quando foi lavar o rosto ‘de suor’ e riu de seu cabelo, estava realmente engraçado, viu no sorriso de seu reflexo uma razão pra não deixar que as coisas ruins o abalassem, pensou que quando nada desse certo ele iria virar “hippie” e arranjaria uma “tribo”, se imaginou viajando com um grupo de pessoas desconhecidas e riu mais ainda, ele seria chamado de louco, e ao lembrar do estado de seu cabelo, olhou para o seu reflexo e gritou: “Eu sou louco de fato” e ficou rindo da situação, o sol estava quase se pondo e ele tinha de voltar pra casa, ele estava com muita vontade de ver o sol se pôr atrás das montanhas, porque ele brincava com o sol, dizia que o sol estava se escondendo pra vê se alguém o achava, e sabia que ninguém acharia o sol, já que ele é o melhor pra se esconder, se achava esperto também por saber disso, estufou o peito e levantou-se, começou a andar novamente, só que dessa vez na direção oposta, ele estava voltando pra casa, e sua imaginação começou a maquinar coisas incríveis e assustadoras, primeiramente ele imaginou que ia virar cantor sertanejo, cantou umas duas musicas, pensou bem e desistiu da ideia, aborrecido pela desafinação, pensou em outras coisas também e sentiu que estava escurecendo rápido demais, olhou para trás e falou consigo mesmo assustado: “Sol? Como ele ta rápido hoje, é melhor me adiantar pra ganhar a corrida, porque aí empata já que ele ganhou ontem” e assim ele enche os pulmões e sai correndo com a sensação de que o mundo esta passando por ele, sente o universo correr os pés, e um frio na barriga pelo medo de chegar em casa após o pôr-do-sol, corre mais rápido, chega, senta, espera o sol ir embora de vez, levanta, vai jantar, toma um banho rápido porque ta tarde e ele ta cansado, deita e sonha com um mundo livre de guerras.

minha utopia mais completa (2006)

Os livros não contam mais nossa historia, você alterou um ciclo que poderia ser eterno e preferiu ter uma historia única, sem maiores ou menores comparações, minhas córneas visualizam imagens que meu cérebro tenta decifrar. Na noite volto para casa ouvindo musicas melancólicas e bobas, encontro no céu uma promessa, estrelas e mais estrelas, milhões de estrelas que brilham mais forte quando tomas conta de meus pensamentos, percebo que é mais que uma ilusão quando as nuvens tornam minhas promessas embaçadas e sem sentido, tento adiar minha chegada, e quando paro a distancia diminui, toca em mim sua canção e a vontade é de parar o tempo e ouvir aquela melodia que me faz lembrar de tudo que aconteceu, mas nada aconteceu, é apenas imaginação, minha utopia mais completa.

coisas de 2006

Maldita incerteza que congela momentos que talvez não sejam mais revistos.


27 de Agosto, mais uma tentativa frustrada de me definir, que sempre acabam em frases sem nexo e comentários sem fundamentos. Sou aquele que se ilude com o mundo, principalmente com as pessoas, sou até esperto às vezes, bobo outras vezes, e assim vou enfrentando desafios e aproveitando oportunidades. Não diria que o Mundo é ruim comigo, tenho tudo que quero {nem sempre perto mas tenho} e isso me deixa confuso.


02 de Setembro, as vezes sinto que uma auto-análise é preciso. Para se justificar os erros e também ser premiado pelos acertos, talvez sair perdido por alguns atos inconsequentes ou centrado numa busca incomum que só pertence a você. Penso que o Mundo não foi feito para viver demasiadamente. Ele foi feito apenas para vivermos, felizes, tranquilos, talvez intactos
como estátuas que nunca serão tocadas por mãos sujas. Há muita dor nesse Mundo, talvez dor de mais para um só Deus, muita discórdia e mentira. Despolua sua mente, plante nela uma semente azul.


10 de Setembro, umas gotas d'água batem na janela e um som novo é criado[chuva na janela]. É um domingo chato, daqueles que voltamos de viagens divertidas, estamos exaustos e temos uma atividade do colégio pra fazer, um domingo do qual entramos na Internet e não tem ninguém pra conversar com você. Um domingo realmente tedioso. Um grupo de amigos eternos está se desconjuntando em algum lugar do universo e ninguém pode interferir. Daí eu estou escrevendo meu perfil novo e meu irmão chega e diz: _"Vou dormir, desliga o computador". Dia
feliz não?


18 de Setembro, eu estou pensando em mim enquanto no mundo pessoas morrem sem saber o porque, e eu sinto que cada vez mais, com mais e mais frequência, isso vai acontecer, eu sou mais, mais mais e mais, um que pensa na miséria alheia e fica acomodado, sinto raiva de mim por isso, mas estou com as mãos presas, são paredes, portas, escadas e mais degraus, uma serie de coisas que não me elevam em nada, agora eu saio daqui, vou na natação, canso, esqueço de tudo, esquecer de mim talvez.


19 de Setembro, um garoto escreve em um lugar inadequado seus sentimentos, mas não será por isso que ele ira adequar seu lingüajar, deixando o mundo mais feliz. Ele escreve o que ele pensa em qualquer lugar, seja numa questão aberta de física ou numa redação de tema estranho, ele escreve neste momento que está feliz e que essa sensação lhe faz bem ao mesmo tempo que ele escreve uma lágrima cai de seu olho, e numa agilidade incrível ele enxuga com a mão, e continua a escrever do que se passa em sua cabeça, coisas como amizade, amor, sentimentos fortes que nele causam arrepios e sensações estranhas, nesse momento ele vira para o lado e se
depara com um casal deitado a beira da piscina, ele olha novamente para confirmar a informação e observa que se equivocou, eram apenas duas amigas se divertindo numa terça, ele acha isso tão admirável, e começa a lembrar dos amigos que estão longe, então ele para de escrever, liga o som e fica sozinho lembrando de momentos que nunca serão esquecidos.

28 de Setembro, chuva na tela do computador, sinal de que o mundo está feliz, ou melhor, sinal de que eu estou feliz. Semanas de liberdade provisória, de risos clandestinos e piadas secretas,
são dias perfeitos para se olhar pro lado e descobrir alguém especial, alguém que valha a pena dividir o espaço de um banco ou uma bala de iogurte. Enquanto ouço musicas que me fazem viajar por um mundo imaginário jogo palavras em um espaço com caracteres contados, são atos inconsequentes de um adolescente comum, mas não tão comum, não serei eu mais um pacifico
observador de um mundo caótico. Eu vou até a África para me encontrar, e que o futuro não me reserve nada, será tudo por conta dos impulsos de um sonhador.


6 de Outubro, hoje eu estava fazendo um trabalho, ou mais um trabalho.
O tema era a prostituição infantil, um tema difícil de ser abordado, já que as pessoas
gostam de sair de casa, do trabalho, do cotidiano pra se divertir, e com esse tema não
há condições de fazê-los rir, nem uma única vez. Ao receber o tema, semanas atrás, pensei o que todos pensamos ao ouvir dizer: prostituição infantil, crianças que se prostituem por dinheiro e ponto final. Mas acontece que a realidade é assustadora, é um mundo de miséria, sofrimento e perda (da inoscencia, da infância, perda dos bens mais preciosos de uma criança). Isso me fez olhar para o espelho e me perguntar: "Quem vai mudar essa situação? "
São meninas de 12 anos com filhos, ou bonecos como algumas apelidam!
Escrevo isso não para alguém ler, chorar e dormir? Não. Já tem-se choro o bastante! Ajudem.


08 de Outubro, num domingo, mais um, afogado num tédio lendo um livro, luzes se apagam e gritos ecoam pelo quarto, olho pela janela e vejo estrelas limitadas a brilhar no infinito animando esse fenômeno, vou para o Hall e de lá as estrelas não estavam mais enquadradas, elas brilhavam livremente, passa um avião, dois, três, e uma nuvem surge, uma nuvem sem formas. Desta vez a nuvem não escondia as estrelas somente, ela estava brincando com uma constelação inteira, enquanto um garoto bobo ouvia musicas deitado numa rede esperando a nuvem passar, ele estava atento aquele momento, nada o fazia piscar, existiam apenas 3 coisas ali: nuvens, estrelas e um garoto a se divertir com aquela brincadeira. Ele neste momento só não queria que a luz voltasse a iluminar aquele local, nada de televisão nem computador, e o seu mundo por um instante estava perfeito.