segunda-feira, 18 de julho de 2011

Esperando secar o céu


Ela estava esperando secar o céu, e disse isso sem perceber, da boca para fora, com aquela mania de menina pequena de não pensar e dizer:
_O que você está fazendo?
_Esperando secar o céu.
_Não está chovendo, meu amor. O céu está mais seco que a terra.
_Estou esperando secar o céu para pintar os balões. Disse com um sorriso leve, bem solto, daqueles sorrisos que dá lágrimas nos olhos só de lembrar, ai como eu gosto de sorrisos leves.
_Você tem muitas cores para os balões?
_Não, não tenho. Acabaram as cores no último quadro que pintei. Aquele que te dei, aquele que chamaram de borrão.
_Você está falando daquele pelo qual sou apaixonado?
_Sim, o famoso borrão. O sorriso não saia daquele semblante leve, mas também não se mostrava por completo. São os sorrisos mais bonitos, não vai doer seu rosto depois de um tempo, amacia meu peito como em amor.
_Sabe, eu gosto de balões coloridos, eu gosto de te ver pintada de várias cores, de seu vestido sujo, inlimpável.
_Posso misturar e quem sabe não consigo mais cores... Mas acho que não vai dar certo.
_E o céu?
_Secou.
_Vão ser quantos balões?
_Quantos balões você acha que cabem no céu?
_Muitos, oras.
_Você não entendeu.
_O que?
_Quero saber quantos balões cabem em um céu bonito. Mil balões tornariam o céu nublado, nublado de balões, imagine que triste.
_Um amarelo com rosa e um azul em tons claros e escuros.
_Só dois? Mas o céu é tão grande.
_Dois, e não centralizados.

domingo, 17 de julho de 2011

sorriso

O dia amanhece em um sorriso. Não se sabe se de alegria ou se é apenas mais uma forma de acordar o corpo, os músculos, os ossos. O sorriso. Indpendente de sua causa, contém em si a pura função de re-iluminar o dia, de refletir um desejo de que as coisas vão ficar bem, de que esse é o lugar mais confortável que existe naquele momento.