sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

É, sempre vai ter um motivo.

Pois então, agora vou ler, porque estou um pouco cansado de ser lido (tudo errado).

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

E quem? Quem acreditaria?

Meia noite, começava a ser viável pensar no passado como algo muito próximo, muito presente. Mas é meia noite, é natal, é o marco de um calendário, é hora de comer, hora de sentar, hora de cochilar, hora de começar as discussões, justamente porque é natal.
O menino de blusa sem cor observa nos olhos de sua avó, de sua bela avó, a avó mais bonita, o ser humano mais bonito, observa a sinceridade, ele entende perfeitamente que ela está ali por convenção, que ela atura aquilo por ser boa, mas sabe que ela preferiria estar rezando em família, afinal ele sabe que ela não para de pensar no aniversariante, no esquecido aniversariante, os olhos mergulham em um ponto de desfoque, e o menino sem cor, o menino da blusa sem cor, não gosta do sorriso alcoólico, não gosta da situação como um todo, ele não sabe beber vinho. E quem acreditaria que o vinho acabou, que restou água gaseificada, que começaram a brindar sem vinho, sem tinta, sem renovação... quem? quem acreditaria?

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

assim, não sei quem lê isso, se é que alguém lê. se lê, deve enlouquecer por falta de maiores consequências, ou entender: tudo errado. a gente pensa que não tem nenhum sinal, quando de repente surgem todos de uma só vez, porque?
-tudo bem, não estava me importando com as coisas pequenas, as coisas que prego serem de fundamental importância, as coisas mais importantes.


talvez e indiferença exista.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

eu amo meu bom humor.

(nada como dormir e uns beijinhos de amor.)

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

(deveria ser) para esquentar

quanto mais escrevo, mais me sinto aberto, mais vulnerável, alvo fácil. e gosto de escrever, sem gostar de ser invadido, de me tornar mais vulnerável. me pergunto se sempre haverá duas idéias opostas me rodeando, como em harmonia, como uma música lenta que fala de dor, como quem quer que doa mais, que sangre.
diferente do que parece acontecer, meus olhos estão secando, secos. algumas vezes a maré sobe, até chegar na borda, samba para fazer espetáculo e some, como se fosse éter evaporando pra dentro de mim. continuo sangrando, cada vez mais, parece que não vou ter sangue suficiente, continuo sangrando, mesmo tendo dentro de mim pouco sangue, ele continua indo embora, e nem sei porque, não sei porque ele quer ficar longe de mim, sendo ele parte de mim, sendo que sou ele.
queria poder cantar pra ele, pra ele poder ficar comigo, mas continua saindo, indo.
quando você muda para poder ser visto começa a ter uma certeza na vida: jamais será visto.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Joana da roupa colada, decotada, lábios vermelhos, ninguém viu. Ninguém viu a pureza de Joana, ninguém viu sua unha não-pintada, seu cabelo festivo de natureza, todos nunca viram Joana. Joana da Conceição vai à igreja aos domingos para servir de comentário, aprendeu a não se importar demais (descrente da indiferença, e bela). Boca carnuda, ancas largas, tetas fartas, olhos incompreensíveis, "tão bela a Joana"- era o que moço, adulto, velho, ou qualquer outro animal dizia sem censura.
Joana estudou até o dia em que percebeu que sabia muito pouco e resolveu não se importar em saber mais, cansou de olhar para as coisas e começar a nomear, a calcular, a tirar o mistério que antes fora inerente a tudo que via. A suposta fogosa Joana frequentava três igrejas e não sabia em que deus acreditar, enquanto os desinformados pensavam: "é um só Deus, ela apenas o vê com mais frequência e em perspectivas diferentes", ela realmente se divertia com tal pensamento, pois era ciente da existência dos vários deuses e que a religião proibida de fato era a falta dela, ser atéia, no seu caso.
Joana nunca deu espaço a homem nenhum, suas opulências inibiam-na e atiçava-os. Não desistiu de viver, sabia que tinha preguiça do dia, mas por falta de informação decidiu não morrer, só tinha pai e o amava como o padre finge amar o celibato (mas não era amor fingido, era inclusive reservado), anunciava tal sentimento duas vezes ao ano e temia que um dia não pudesse fazer cara feia para ele, a cara que ele nunca resistiu sem devolver-lhe com um sorriso, o único homem que amara, até morrer do coração.

sábado, 6 de dezembro de 2008

minhavisão.

As coisas boas não se completam.

As coisas boas não podem ser completadas, é o vazio delas que fazem elas se tornarem realmente boas, realmente necessárias, saborosas. Não apenas alimentos, todas as coisas existentes, e até as que haverão de existir. O vazio é tão bonito, é preciso sim ver a beleza do vazio, é ele que dá importância as coisas, dá vida. A vida cheia deve ser sem graça, sem sabor.
Os cheiros, as cores, são sempre constantes, são sempre amplificadas, e o vazio? o vazio faz a infinidade das pequenas coisas, das grandes coisas, das coisas.
Enamorado pela indiferença, principio um gostar pelo vazio, um admirar. Um gostar é pouco, seria um admirar mais adequado.
O vazio é tão importante que muitas pessoas já quiseram se esvaziar ao menos um dia, esvaziar outras pessoas, evadir uma invasão.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

o que restou do meu mundo; uma pergunta. Quando penso em escolher algo, já está escolhido, mundo pré-parado, um saco. Até as luzes irritam, coisa boa não há de ser. Nunca vi agonia com bons olhos, nem dor nos ossos, dá uma preguiça do tamanho de um elefante, daqueles de filme norteamericano, dá tanta coisa. Inclusive, no meio de tantas coisas, dá vontade de nada, deitar e ouvir alguma respiração, sem música, sem programas de televisão, sem filmes.
vejo a menina rodar,
sem carir, sem cantar.
Eu vejo a menina sorrir,
sem foco, sem dentes.
e vejo a chuva cair, encobrir,
a menina que dança, a menina
que balança.
Me perco na dança, embolo as pernas e
a menina rodopia.
fico tonto, tenho
dores, coisa de encanto.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008