Descobri que talvez um pedaço de minha maior falta, saudade, dor, ausência, tristeza, vazio, escuridão, solidão, seja de mim mesmo. Se olhar e se encontrar nos olhos do outro não tem volta. O feito nunca mais poderá ser desfeito. O desfeito não existe. O dessaber é irreal. Então porque tocar numa realidade pungente, fatal? Não tem porque não tocar o self. O nomear é humano, não mais do que o medo de fazê-lo. Me sinto confortável com o externo pois minha viagem é interna. Não há sofrimento nisso. Muito menos gozo. Há o que há, apenas existência. Me sinto infinito quando me revisito. Aí, então, há o gozo? Sou dos caminhos, não do fim. Por um tempo isto também me estranhou. Para quê tanta culpa? Ou, o que seria de mim sem a culpa? Revejo e me apaixono exatamente na mesma intensidade - real. O verbo parece tão pouco, deixa tanto por dizer. É nesse contexto que escolho meu entorno: o outro não pode ser uma pessoa que não acesse o não-verbal, pois não há outra maneira de se comunicar. Minha existência não se acomoda em conceitos, apesar da fascinação. Não consigo me prender a datas, não me parece digno reviver situações de forma datada. Fico além, dentro de mim. Revisito quem revisito como quem encontra um rosto conhecido no caminho do trabalho. Como amo revisitar meu irmão - meu eu mais próximo de mim é um buraco no meu peito. Os outros, ainda presentes, acham que me conhecem. Acho engraçado, acho pequeno, acho ousado, acho ousado, acho um quase.
terça-feira, 16 de setembro de 2025
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