quarta-feira, 21 de julho de 2021

é uma carta

 se eu pudesse te escrever, o que eu te diria? eu posso te escrever, então te direi: te amo, estou com saudades, as coisas aqui até que vão bem, mas não vão melhor do que outrora. depois de tudo existe um vazio. não existe mais a alegria leve e completa. falta algo. é sobre lidar com a falta. não é sobre substituir a falta. não é sobre preencher, é sobre lidar. é sobre lidar com tantas coisas. não é sobre nada. músicas e habitos antigos são tão gostosos, lembranças de coisas boas e de coisas incríveis. obrigado. te amo. até breve - e assim a fé se renovou e descobri que fé não é questão de escolha.

quinta-feira, 20 de maio de 2021

 Oi. Me diga quem és. Essa sombra que te sombreia de onde vem? Tu tem tua própria sombra? Que sombrinha. Queria alisar teu rosto sem te arranhar. Pois saiba que não vai ter carinho, pq o carinho tem espinho. Eu peso muito porque sei que consigo. Estou diante de mim mesmo e me considero inapto. Poderia eu me sentir apto de alguma coisa? Sinto cheiro de pavor. O que é o covid? Tem como escrever e não falar do covid? Se eu não escrevo sobre o covid e daqui há 60 anos un bisneto pegar minhas anotações e disser: como ele não falava do covid em plena  pandemia? A gente tá construindo uma ponte e só pensando em quais pontes estamos ligando. A coisa feita é a coisa em si. Como se sente tento construído uma ponte. Se sente responsável pelas pessoas passando ali. Pelo bicho passando ali. Pelo tudo passando ali  

Me diga quem és. 

diga em quem tu votas e eu te direi quem tu és


2021, um ano após uma catástrofe - ainda estamos nela, estamos presos nele. Utilizamos datas atuais muitas vezes no intuito de supor amadurecimento quando comparado com tempos passados. Me deparei com uma camisa com os dizeres “diga em quem tu votas e eu te direi quem tu és”, e só consigo pensar no tamanho da redução que isso torna o todo. Eu tenho tempo, eu prefiro que me diga quem és tu com muitas outras firulas. Não sou rico das paciências, mas tento. Entre dois pontos fixos existe um infinito. Entre dois pontos móveis existem muitos infinitos. O fardo do passar dos anos é viver o presente como se ele fosse presente, e tendo a ciência de que o amanhã é mais do que uma promessa - é uma certeza. E quem tem certeza de qualquer coisa que seja em 2021? Sei lá, não seria de 2020?