domingo, 19 de junho de 2011

florescer

"Moça, Olha só, o que eu te escrevi
É preciso força pra sonhar e perceber
Que a estrada vai além do que se vê"
mostra-se que é de se entregar, e como uma rasteira interrompeu o resto da música. Sentia um peito pedindo ar, sensação de sufocamento, uma vontade sem tamanho de mergulhar ali dentro, ultrapassando célula-a-célula sem pedir qualquer licença. Às vezes não há tempo para pedidos, não há tempo para conter sangramentos, não há tempo para cerimonias, pois a dor é como flor, apenas nasce, mesmo quando se trata de asfalto, mesmo quando se trata de pedra nua, a flor, a dor, sempre acaba nascendo.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Pedaço

Me falta um pedaço,
me falta sim,
um pedaço inteiro,
seja lá o que possa significar pedaço inteiro
(como se não existisse pedaço pela metade).

Um pedaço fantasma
às vezes aparece,
íntegro
(mas passa).

quinta-feira, 2 de junho de 2011

continuidade

permaneço escorrendo. me sinto mais sóbrio quando vejo tudo escorrer, as paredes desmoronando, os rostos se transformando em suor e se desconfigurando, a pele derretendo em lágrimas e sangue. me sinto sóbrio como se o real fosse o declinar das coisas/pessoas/situações. foi tudo que consegui aprender, é o que tenho carregado comigo. esses conhecimentos soltos, ou a falta completa de qualquer sabedoria.
talvez eu entenda muitas situações incompreensíveis pelo fato de eu mesmo sê-lo. quem poderia me dizer que a construção é o mais entrópico? é tudo desordem, é tudo quebra, desgaste.
a continuidade me corrói, porque ela é assim, porque ela existe por esse motivo: corroer.