domingo, 27 de setembro de 2009

alguns sons me transformam em líquido-sólido. encaro os presentes não dados, os passados que não passaram, a certeza que sempre se esvai de que o presente não passa de restos do passado, provando por completo que o passado é puro presente.
eu não gosto, não aprovo, não isso, não aquilo. viro chato por ter opinião, ou vazio por não expressá-lás. xícaras, pratos e porta-retratos quebrados, milhares de cacos, pouco tempo, pouca vida. na sujeira, como proteção, procuro cápsulas. Proteções.
a distância costuma estar próxima a mim, sempre próxima, em estado de mistura, sendo eu sua proximidade, seu espaço vazio, estrada.

(um texto não terminado, um dia que não terminou)

domingo, 20 de setembro de 2009

youtube.com/watch?v=FnkvljZsNTQ

o tempo para, mais uma vez, como tantas e tantas outras vezes. o tempo não para por vontade própria, e se assim fosse permaneceria parado por milênios, fazendo o passageiro parecer eterno, fazendo brincadeira na poça de lama. quando o tempo para as pessoas ficam tão silenciosas, os passos não sou ouvidos e os gritos são cantos de pássaros, e todos os acontecimentos parecem ser programados para tornar o momento imutável, sem surpresas. redescobre-se que é preciso mudar para permanecer imutável, porque mesmo com o tempo parado os objetos ainda se movem, sem alarmes. para não mudar às vezes é preciso arriscar tudo e chegar à conclusão de que não haveria como ganhar sem colocar o prêmio em risco indefinido. os olhos pedem silêncio quando a boca sabe o que é silêncio. sem alarmes, sem surpresas.

sábado, 5 de setembro de 2009

texto nunca terminado

Numa casa que por horas ficara vazia, por horas hospedou o nada, novas pessoas se estabelecem, espalham malas, sacolas e pressa. O sangue é o mesmo, aparentemente nada mudou, mesmo tendo mudado muita coisa. Na noite, densa pelo frio, uma criança, que outrora fora incomunicável, olha ao redor, olha as novas malas pela sala, pela cozinha, pelas escadas, olha o espelho intacto, para alguns segundos e diz "Essa casa está estranha", um outro menino, mais velho, julgando a pequenez de uma criança, observando as malas, pergunta "porque? estranha como? as malas?", e a criança, andando de volta para a porta escura responde "não, essa casa fica estranha sem meus avós".
A noite continua passando, as horas tropeçam, o corpo dói, os pensamentos estão turvos, turvos de uma neblina completamente nomeável, mas que não o será. Panos, planos, e cicatrizes, fazem parte de mim,

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

o meu eu, por mim mesmo

Me esvaziei, mais uma vez, de palavras e sentidos.
Mais uma vez vazio de mim, por desaguar cada gota em poços sem fundo, pura infiltração.
Me esvaziei porque outrora fui cheio e transbordei, e por preferir transbordar e esvaziar a estar pela metade (meio cheio, meio vazio), nunca estou ao meio. As saliências de meu ar de tanto flutuar se entrelaçaram, e hoje, agora, sou puro nó. Ao fitar luzes e olhos, reflexos e parasitas, não identifico nada, falho, como se não tivessem nome, como se ter nome fosse uma ofensa, como uma maré alta, como uma xícara vazia.
Meu corpo faz parte de todo o resto, assim como se todo o resto fosse uma extensão de mim. O mundo nunca vai ser meu, pois nada nunca será meu (nem o meu eu).