quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
paraomeubem
sinceramente achei, a priori, que meu gostar-de-você fosse coisa passageira, paixão, tensão, correria. Mas é calmaria, é felicidade simples, é leveza, é também peito disparado, respiração ofegante, frio na barriga e arrepio. Apesar de não ser um comentário novo, repito: a cada dia, a cada riso teu, a cada palavra de carinho, a cada... meu peito expande para caber mais e mais você.
sinceramente, eu não sei, eu não sei muita coisa, muita coisa mesmo. Sei pouco, bem pouquinho, e sei que você me faz um bem tão grande, mas tão grande que não se mensura, não sabia que existia um bem assim... meu bem.
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
Eu sou dois.
Agora é cedo, para tanto tempo ainda que nos resta. Agora é tarde, para o tempo que já estamos longe, léguas. Agora é dia, é noite, é riso suave, peito arritimado, é hipóxia, anóxia, é suor, frescor e saudade. É saudade, mesmo quando estou contigo, pois qualquer milímetro são como mares intransponíveis, posto que qualquer distância é dor.
Sim, meu mais doce pôr-do-sol, eu, agora, não apenas um. Agora, não apenas mais um, outro, qualquer, sou dois. Sou dois porque agora tenho par.
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
show, pier, mar.
Quebra brusca de todas as regras,
expectativas,
convenções.
Todas as belezas em concentração.
Doçura simples, doçura.
Encanto doce, leve,
encanto dos cantos de sereia,
suavidade:
as delicadezas, a maciez.
O tempo, o tempo, o tempo que vagueia em toda a sua inexistência. Quando, quanto o tempo? O não-tempo, o fim, sem-fim.
domingo, 15 de novembro de 2009

como se o tempo pudesse me fazer ver.
confundindo óculos, tempo e interpretação:
domingo, 8 de novembro de 2009
sábado, 31 de outubro de 2009
poema-cem-títulos
nos
versos
o
que
vejo: beleza.
Fracos raios de luz,
doces assobios,
brusca queda solar
(encoberta por nuvens).
Travas, fechaduras,
todas-as-coisas ansiando por implosão
todas-as-coisas precisando ver:
a tarde brilhando sem-sol.
domingo, 25 de outubro de 2009
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
pequeno infinito.
menina dengosa se encosta danosa e pula no espaço.
sábado, 3 de outubro de 2009
minha saudade
bicho do mato, que se esonconde
entre entranhas
e passeia livremente
(em dias de sol)
Saudade é parasita
sugando tudo que há de elaborado,
boca seca
(em dias de chuva)
Cria-se,
crio,
bicho-parasita
(dia-a-dia).
29/09/2009
preciosos, poucos.
Todos se repetem,
em mim,
Salvo raros.
Salvo preciosos.
Os poucos que sobrevivem,
Aos poucos que reagem,
Aos poucos que regressam inteiros,
Os íntegros.
domingo, 27 de setembro de 2009
eu não gosto, não aprovo, não isso, não aquilo. viro chato por ter opinião, ou vazio por não expressá-lás. xícaras, pratos e porta-retratos quebrados, milhares de cacos, pouco tempo, pouca vida. na sujeira, como proteção, procuro cápsulas. Proteções.
a distância costuma estar próxima a mim, sempre próxima, em estado de mistura, sendo eu sua proximidade, seu espaço vazio, estrada.
(um texto não terminado, um dia que não terminou)
domingo, 20 de setembro de 2009
youtube.com/watch?v=FnkvljZsNTQ
sábado, 5 de setembro de 2009
texto nunca terminado
sexta-feira, 4 de setembro de 2009
o meu eu, por mim mesmo
sábado, 29 de agosto de 2009
não podia deixar de postar, por medo de perder
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
Desaba Mundo
25/08/2009
domingo, 23 de agosto de 2009
declaração
sábado, 22 de agosto de 2009
meus acompanhantes
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
Milord 3
(o restante do pedaço de papel permaneceu em branco, assim como a mente de quem escrevia)
Milord 2
/La belle rose
Milord 1
_Seria um prazer, belle rose.
Começam a deslizar no salão que até então parecia inóspito, anecúmeno, até que a "belle rose", um pouco ofegante, suga o aroma de seu Milord e sussurra.
_Sempre quis dançar com você Milord, sempre te vi sentado com o olhar a se perder entre os vestidos das moças, perdi noites imaginando se meu vestido te fazia algum sentido, oh Milord. Porque está tenso? Sua amada esposa não está nos olhando, ela não consegue se concentrar em mais nada além do prato que lhe fora servido. Milord, eu gostaria de dormir essa noite com você, estou sem casa por algumas luas, não consigo dormir sozinha em época de inverno, o frio me desabriga. Milord, agora preciso ir, a música está acabando e a próxima a se apresentar no palco sou eu, cantarei a música que fiz enquanto não dormia imaginando esta dança que agora se finda. Me encontre após meu número no último camarim. Au revoir, mon amour.
domingo, 16 de agosto de 2009
amada verde:
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
canibália_19 (flickr.com/sisartori/3815159783)
Enquanto estava no chão, sem música, seus amuletos brincavam de libertar e prender medos e angústias, até que outra corda, que nunca existira (também), levanta o corpo desprovido de massa ao som da primeira melodia. Desde que a música toca seu corpo, em concomitância o sangue ferve, evaporando por cada poro que se encontra exageradamente aberto, exposto. O vapor, avermelhado, abafa todo e qualquer pensamento que por ventura possa se formar. Sua única preocupação é com o coração, arritmias e paradas, mas seu coração é forte demais, resiste a qualquer pulsação, acostumou com a dança.
Quando dança, desliza, não consegue pensar (na verdade nunca tentou). Dinheiro e maquiagem se tornam a mesma coisa: nada. Se sente nua flutuando entre notas musicais, não existe terra nem céu, o mundo é seu e se pudesse pedir algo a Deus naquele momento, não hesitaria nem por uma nota musical, pediria para a música nunca acabar, para que sua alma estivesse sempre alimentada e leve, capacitada para o voo plenamente.
domingo, 9 de agosto de 2009
conversa
_Então, eu te amo, apenas isso. É o que queria ouvir? Será que era exatamente isso que queria ouvir? Eu sei que não. Você sempre preferiu quando eu dizia que não te amava, só para poder tentar me conquistar um pouco mais. Agora olho para sua expressão muda e digo que te amo porque tenho a certeza de que essa é a única maneira de fazer você ir embora (sem ter que mentir). Tudo se tornou tão previsível, tão corriqueiro... passei a amar essa estabilidade... e se agora, ou algum outro dia você resolver inovar e recomeçar a encenar um amor de feriado, como tantas outras vezes, estará tudo acabado. Você é minha antiguidade mais rara, a peça de entrada de meu museu que estranhamente pode ser tocada por qualquer visitante, exceto seu dono. Não se preocupe em tentar encontrar voz para dizer que não sabe o que me responder, você nunca soube ao certo. Ah, me parece fascinante como a distância de uma montanha para um abismo pode ser tão ínfima. De alguma maneira você estará sempre comigo, me dando força, essa foi a única parte sua que restou. Eu te redesenhei para poder amar uma pessoa íntegra e agora eu não posso te ouvir porque demorei tempo demais te moldando para permitir que você se destrua mais uma vez. E se um dia me amar escreva um poema em um papel rabiscado e jogue-o, ainda inacabado, no mar.
Depois de tudo ouvir, o rapaz que vestia uma camisa azul celeste, sem querer, deixa cair uma lágrima do olho esquerdo e dois livros de poesia de Manoel de Barros, tropeça no degrau e sai do sebo. A moça, ainda em choque, vai a procura de seu livro, agora estava pronta para "desconhecer" seu passado.
deve ser bom ter um amor criado para não se sentir desamparado domingo meia noite e segunda de manhã cedo, criar um amor que quando começar a errar, quando começar a machucar, se possa usar uma caneta para consertar todos os defeitos. um amor que me faça escrever horas em um papel de 7 centímetros quadrados para depois jogá-lo fora, como se o amor morasse no lixo.
mas o amor não mora no lixo, mesmo o inventado, ele nunca vai ler todos os bilhetes, seria inviável. e se, por acaso, eu tirasse um pedaço meu e criasse a partir dele um amor, será que daria certo? não que eu queira um amor a qualquer custo, não quero um amor de verdade, quero uma brincadeira sob controle que me dê mais evasão, me dê pano para manga, um devaneio de carnaval duradouro.
terça-feira, 4 de agosto de 2009
não é um poema do dia 29/07/2009
Seria poesia,
poema sem rima que canta:
palavras bonitas ao acaso.
falta de sentimento fere o poema,
vira poema morto, sem sopro.
Tristeza e alegria somem
fundem-se
equilibram-se (e se anulam)
Pele, cheiro, gosto:
As repetições que sozinhas soam novidade.
Ser novo,
tornando-se velho.
Quando o sangue começa a jorrar, a inundar o salão, acredita-se que se torna visível o que nem nomeável é, mas, neste momento, hão de aparecer corpos que fingem não ter sangue nem olhos, nem sensibilidade, nem tato, agindo como alma que nada teme e nada sente.
Algumas vezes, depois de muito sangrar, falta sangue. A pele empalidecida prenuncia fraqueza, os músculos secos começam a virar farelo e o que era corpo, íntegro, torna-se líquido escoando pelas gretas encontradas.
sexta-feira, 24 de julho de 2009
pessoas e suas implicações
Se aproximar antes de estabelecer um conceito apurado e sofisticado é o melhor modo de evitar más surpresas. Ao manter a distância, ou ao aumentá-la, quando se encanta, é como se estivesse amarrando uma corda firme no próprio corpo e no corpo alheio e depois andasse, andar em uma velocidade insensível na direção de um abismo, um buraco sem fundo.
Adiar a chegada, então, é pedir cocaína em enterro-sentido.
As pessoas são, enquanto existirem, dores.
Maria Clara, sem fim
Marília
Agora, com um olhar externo, um ponto de vista completamente corrompido e superficial, você acredita que conhece, que conhece muito bem, Marília.
sexta-feira, 10 de julho de 2009
Sophia - Nerina Pallot
Sofia, Sofia, estou aprendendo que sem algumas coisas outras tornam-se impossíveis, apesar de que o impossível sempre revela-se como improvável, existindo uma pequena chance de ser contrariado. Você se machuca, mas continua se sentindo viva como nunca? Às vezes a vontade de se reumanizar é estremecedora, principalmente quando não se machuca o suficiente para comprovar para si mesmo que está realmente vivo, acontecimentos efêmeros, pequenos arranhões, cicatrizes que não ficam por mais que alguns dias. Mas quando não se quer saber que vive, não se quer ter a certeza, não há porque se expor e se machucar.
Sofia, eu só sinto saudade do que não existe mais. Sofia, só se termina uma história quando todos os "i" tem os seus pingos, e seus "t" os seus cortes finais.
quarta-feira, 1 de julho de 2009
septuagésimo oitavo outono, Presente-passado.
Chegou em casa às 22:17, cansado, havia dançado três musicas em comemoração ao seu septuagésimo oitavo outono, havia subido os três velhos lances de escada, ofegava. Sentou-se na cadeira de balanço na tentativa de recuperar o fôlego e ficou enjoado após se balançar por alguns poucos segundos, a cadeira rangia. A noite parecia terrível e nem se lembrava mais da época em que suas aventuras engoliam o tempo escuro, noturno. Queria dormir, mas o sono não chegava e como sempre fora prático resolveu usar tal tempo para organizar a última gaveta do criado-mudo. Segurou lentamente o puxador da gaveta enquanto se apoiava no tapete e quando conseguiu se sentar quebrou o puxador, teria algo a mais para fazer no dia seguinte. Ele estava feliz, não sabia por que, não ganhou nenhuma ruga ao pensar no prejuízo que tinha acabado de conquistar e conseguiu, com sacrifício, abrir a gaveta mais pesada do apartamento. Havia ali apenas uma caixa preta com rabiscos brancos e ele se assustou ao se lembrar do que poderia haver naquela caixa, mas, como um bom organizador (curioso), abriu-a para organizar as coisas que ali permaneciam, as coisas que não existiram por um longo tempo. Sua primeira sensação foi a de ter conseguido quebrar a barreira do tempo, lia aquela grafia muito bem desenhada "Amor, espero que esta data se repita por mais uns duzentos anos... Felicidades" que o fez lacrimejar e lembrar do cartão que recebera quando fez vinte e três anos, não se lembrava da dona da letra, mas sabia que havia sido uma pessoa especial, chegou a conclusão que somente pessoas especiais seriam capazes de mandar um cartão como aquele. Secou o rosto e umedeceu o nome desconhecido, olhou com mais atenção para aquela incógnita e mergulhou a mão bem no fundo da caixa que reluzia velhas noticias, seus dedos tatearam um papel rústico, que chegava a arranhar a pele, puxou sem pensar e avistou um pacote amarelo-mostarda, estufado de preenchimentos e lacrado com uma fita preta que quase estava sem cola. Como morava só e não mais se lembrava lucidamente da época em que dividia o apartamento com sua ex-namorada, resolveu abrir, não estaria violando a privacidade de ninguém, a não ser de seu passado. Seus olhos se petrificaram e suas mãos tremeram até que o pacote aberto caiu, espalhando cartas pelo chão, como estava sentado e a altura era pouca não espalhou muito, fez um pequeno monte, eram dezenas de correspondências: todas endereçadas e seladas que acabaram guardadas em um envelope rústico. O aniversariante hesitou, mas logo em seguida abriu a primeira carta do bolo, ela estava endereçada para uma desconhecida e ao abri-la notou manchas amareladas e lembrou que havia borrifado colônia de begônia naquele papel adormecido, enquanto se lembrava do cheiro do perfume as palavras eram lidas e voltavam a dar vida ao papel-das-manchas-sem-cheiro e ao ler "...espero que não te machuque tanto quanto penso que machucarei, mas o filho que sua prima espera é meu..." as mãos começaram a tremer e a mente voltava no tempo para lembrar o sol queimando o rosto de sua então amada enquanto decidia não contar nada, decidia não fugir, decidia um aborto, um silêncio. Passou quarenta e dois minutos em transe até que se desprendeu da carta, soltando-a sem cuidados, e foi com sede beber a próxima sem se importar com nomes e fingindo indiferença. Já passava das 23:20 quando escolheu a segunda carta, esta não tinha manchas, era seca como a terra do sertão, e as palavras eram poucas e muito bem escolhidas, era um pedido disfarçado de apelo com algum sentimento postiço dizendo entre outras poucas coisas "... eu não amo você, esse filho não tem pai, seria melhor..." e ao ler estas palavras que haviam sido lançadas com raiva no papel branco-seco, seus 78 anos se reprimiram a 15 e ele começou a chorar feito um adolescente que fora impedido de ir para a festa do domingo à noite, imaginando uma vida inteira regida de outro modo. Esta carta não havia sido simplesmente guardada, tinha o carimbo do correio e um rabisco assinado dizendo que o endereço era inválido, coisa que só reparou após ler a última frase "se você decidir tirar a criança não precisa mais entrar em contato comigo.", sua mente cansada mostrou-se jovem unindo todas as informações e transformou-as em lágrimas que pareciam querer fugir daqueles olhos que por tanto tempo precisaram de colírio para se hidratar. Agora que era sozinho descobria que pedaços seus poderiam estar espalhados por aí, despedaçados também. Com um lenço verde-bandeira, diminuiu a umidade do rosto e pegou um envelope qualquer, fora de ordem, desta vez a letra não era a sua, olhou rapidamente o remetente e reconheceu o nome de sua mãe, lembrou-se de seu sumiço e de seu posterior enterro, a carta não era selada, não havia marcas de cola e era endereçada a seu pai, abriu-a lentamente e avistou as primeiras palavras “Meu bem, tenho tuberculose... as crianças não precisam... entrarei em contato...você... se eu amo?... é por amor... Não conte a eles...notícias...”. Finalmente entendia o sumiço repentino de sua mãe e o seu aparecimento em um caixão meses depois. Pensou em ir dormir, acabara de descobrir histórias que foram omitidas de sua vida, achou que não sabia quem era, sentiu-se superficial. Mas conscientemente sabia que estava curioso, que estava curioso para saber mais de seu passado, saber das entrelinhas e tentar finalmente ser ele mesmo, ou o que teria sido se soubesse o que era. O relógio digital que era quase parte daquele criado-mudo estava zerado e quanto mais o tempo passava, mais o sono fugia, ele não queria escapar da curiosidade e na verdade não tinha como, não se tratava da vida da vizinha ou do irmão, eram pedaços de sua vida em papéis que estavam ali, na sua frente, papéis mortos que gritavam. Parou e racionalizou, começou uma procura nervosa em busca de novas cartas da mãe, passou por vários nomes, entretanto o de sua querida mãe não se repetiu, era apenas uma, ele releu a carta da mãe mais sete vezes e separou-a colocando em cima da cama, embaixo do canto do travesseiro amassado. Escolheu outra carta, mas antes de abri-la ficou tentando adivinhar o que aquela carta continha, seria mais tormento ou um suspiro de alivio? O nome dessa vez não lhe era estranho, se tratava de um velho amigo que havia falecido há quatro anos, depois de alguns minutos abriu a carta e, como estava cansado, ficou feliz ao ver que as palavras eram poucas e que a sua letra era bastante legível. Não era exatamente uma carta repleta de conteúdo, eram poucos e pequenos acontecimentos que eram narrados por ele há quarenta anos “...e resolvi casar... meu pai está bem... mudei de empresa... vamos marcar uma cerveja e um carteado...”, ficou muito feliz em relembrar de coisas boas do passado, já estava pensando que seu passado tinha sido uma mentira, foi então que começou a se perguntar quem guardara tantas cartas sem avisá-lo, não podia mais ligar para o pai pois este havia falecido semanas atrás e seus irmãos não se lembrariam de nada, eram muito novos na época. Abriu outras cartas, mas não houve muita surpresa, apenas ficava explicado o porquê de algumas respostas nunca terem chegado, a culpa era da ausência das perguntas. Depois de cobrir o tapete e parte do chão com papéis escritos e envelopes dilacerados, começou a procurar as primeiras cartas, mas não conseguiu achar, se ergueu lentamente tentando enganar a hérnia de disco e avistou o relógio que mostrava 03:56, seus olhos já estavam mais fechados do que abertos e seu corpo só pedia descanso em uma cama macia, deitou-se. Seu relógio biológico deu defeito, passou das cinco da manhã e seu corpo não demonstrava nenhum sinal de movimento, quando o Sol se posicionou no alto, sua cama fervia de calor, seu corpo transpirava e seus olhos se abriram, retirou o cobertor daquele corpo em chamas e se sentou, fechou os olhos com força e pediu para ser um sonho, era seu único desejo, mas as cartas tomavam conta de todo o piso do quarto, não que tenham se multiplicado, mas estavam completamente espalhadas, “Maldita janela aberta, maldito vento!”, foi a única frase que proferiu na tarde de um sábado ensolarado. Resolveu procurar novamente as primeiras cartas que lera, queria ter certeza do que realmente as tinha lido, se achasse, prometeu pra si mesmo, iria buscar mais respostas, buscar as respostas que nunca tiveram uma pergunta. Anoiteceu rapidamente sem nenhuma carta fixa em sua mão, apenas a carta da mãe, amassada e um pouco rasgada, tinha destaque naquele mundo de papéis. Olhou novamente pela janela, mas sabia que se tivesse voado já estariam onde os olhos não alcançam. Cansado e com dor em cada parte do corpo foi dormir novamente, desta vez não de qualquer maneira, estava abraçado com a carta da mãe e rezando para achar as demais cartas, as cartas que “entra ano e sai ano” e não são encontradas.
sexta-feira, 26 de junho de 2009
acordei querendo ver o dia passar enquadrado em uma janela, em uma porta, colorido por um vitral, através de um raio-x, negativos de velhas fotografias.
acordei sem querer acordar, querendo viver aquele sonho comum até morrer e poder renascer em mim mesmo.
acordei com um vento frio e um feixe quente de luz que me jogava na cama e me arrastava para a porta.
acordei e enfrentei o chão entapetado de gelo.
quarta-feira, 24 de junho de 2009
cartão postal na véspera de natal.
segunda-feira, 22 de junho de 2009
segunda-feira, 15 de junho de 2009
à vontade
sábado, 13 de junho de 2009
carnavalizar
Um grupo de burgueses atravessa a rua com faixas, bandanas e panfletos cuspindo números, os malditos números que recordam horas, dias, proximidade do fim. algumas pessoas começaram a re-engolir os números que tinham vomitado horas atrás. Os burgueses, que gastam mais tempo e dinheiro com animais do que com pessoas, pedem por paz e pelo fim do carnaval, mostram gráficos, fórmulas e projetos do que poderia ser feito com tanto dinheiro: outro carnaval.
A passeata dura trinta e sete minutos, depois dela alguns manifestantes se deslocam para camarotes e tomam conhac com o dedo mínimo erguido. as pessoas voltam a vomitar os números e a banda continua a desarmonizar as notas. Cantam músicas agitadas para pedir calmaria, sair no jornal, ganhar algum dinheiro. Absolutamente normal, comum, banal, irreparável.
Os males se estendem, ocupam o ano, o bem regride.
Maria, moça dos livros, mora na porta do carnaval, costuma ficar triste nesta época do ano (não que seja feliz o resto do tempo... mas é que nesse tempo ela murcha, se afasta dos livros, briga com o próprio sorriso). Aprendeu a fingir que carnaval era domingo de páscoa, passou a comer chocolate, atravessar a rua com naturalidade, se fazer de surda.
Em um dos domingos de páscoa foi comprar chocolate, tropeçou algumas vezes, não pediu desculpas e nem desculpou ninguém, afinal sua rua estava deserta e um homem gritava em um carro grande revestido de luz e som, já sabia identificar a música com os pés, não se importava mais. Um moreno lhe pediu um beijo, ela foi comprar chocolate, um ruivo lhe pediu um beijo, ela foi comprar chocolate, um amarelo, um moreno, uma alma, um beijo, um beijo, um beijo, chocolate, chocolate, chocolate. Diante da pouca variedade da vendinha, normalmente, comprava o meio amargo, ficava feliz por comer uma barra inteira e não enjoar, às vezes comprava de outros sabores, mas era passa-tempo, a água na boca era sempre proveniente do meio amargo.
Quando o domingo, que amanhecia e crepusculava algumas vezes, se despediam um meio dia, começava um dia já com o sol reinando, a semana que começava na quarta, nada de belas luzes coloridas a brincar de se esconder entre edifícios, era assim a curta-quarta depois dos domingos. Nunca acontecera diferente: almoço, cochilo, música lenta, café, cabeça nas núvens pensando no quase-eterno domingo-irritante que passava a ser agradável e doce.
sexta-feira, 12 de junho de 2009
quarta-feira, 10 de junho de 2009
Admirar: olhar para a pessoa e ver tudo aquilo que você acha fascinante e inalcançável sendo realizado naturalmente.
sábado, 6 de junho de 2009
brinquedos reais são fragmentos
me rasgou ao meio, sabia o que dizia, tinha a voz firme, pareceu ter ensaiado o que dizia há alguns séculos, elevava a intensidade sonora com a certeza de que era convincente, convicto, tinha absorvido 350 páginas semanais e o único luxo aparente era uma aliança, simples, de ouro amarelo. As palavras jogadas me aproximavam do chão, ou aproximavam o chão de mim, difícil saber o que de fato se movia naquele momento. Seus olhos, ditos miopes, apequenavam-se por detrás de um par de lentes, era pura concentração e meus ouvidos enxergavam. Ao passar dos segundos começava a ter raiva do tempo, de sua passagem, raiva do ser que falava as coisas que eu tanto fingia não saber e tinha a desculpa, por nunca ter ouvido diretamente, de não saber. Fruto da raiva comecei a morrer, me desfragmentar em agradecimentos, afinal brinquedos só são reais quando desmontados.
Obrigado, Wilson.
domingo, 31 de maio de 2009
"porque não" não é resposta
As pessoas costumam ler textos e comentá-los, contanto se não estamos em mais uma avaliação rústica e equivocada, porque então ainda a vontade de comentar? Talvez aquele espírito competitivo que muitos buscavam se afastar acabou se consolidando internamente, a vontade de ser o melhor "entendedor", como se fosse possível entender tudo de um texto alheio. Principiando as causas, essa é a primeira, tentativa (talvez vã) de podar um sentimento tão mesquinho e (in)consciente. Certa vez os comentários em meu blog eram livres, como uma liberdade ridícula, e percebi que grandes leitores eram grandes distorcedores, percebi que após o primeiro comentário o caos se completava magnificamente e todos os demais passavam a ser permeados por idéias do texto que nem existiram um dia. Resolvi por fim cortar as asas de uma liberdade cara, ela custava meu suor, resolvi ser mais sincero comigo e troquei o prazer de ler um comentário por um vazio cheio de interrogações. Além de todos os pormenores existem algumas outras causas, algumas que lembro agora e não comento, outras que só vou lembrar ao publicar esse texto. Mas antes de colocar o último ponto, lanço uma ultima justificativa (tão desnecessária quanto as outras): sem comentários não há certeza, nem em quem escreve nem em quem lê.
quarta-feira, 27 de maio de 2009
Inevitavelmente a boca fica seca. Vazia.
Independentemente passa. Esvoaça.
O vazio é o que sempre fica, volta, evasão não-instantânea. Como não aprender a amar o que sempre está presente, ausente, estabelecimento de probabilidade: gozar o vazio. Ficam dúvidas, dúvidas não precisam acabar, aprende-se a lidar, ligar para São Pedro e pedir para falar com Deus, perguntar as coisas que são dúvidas e ouvir: "Se ainda não divulguei as respostas é porque as dúvidas te interessam". Distância concreta é vazio, evasão, e dissipa-se em minutos o que dura anos.
domingo, 24 de maio de 2009
carta de hospital.
segunda-feira, 18 de maio de 2009
sábado, 16 de maio de 2009
bilhete
com muita vontade de ficar e o desejo de partir, Seu Amor.
segunda-feira, 11 de maio de 2009
maior felicidade
Há a crendice de que não há sensação melhor do que ver um filho feliz, mas será que há? beira ao impossível em minha mentalidade de 18 anos e meses e meses. a circulação fica fraca quando se pensa em filhos, em filhos felizes. como consequência a maior felicidade é o que pode causar a pior dor. Logo, ao pensar em filhos, penso em dor e fica um medo imensurável de ser pai, e a história de "ter medo de ser feliz" ao tomar tais proporções é vista como bobagem, fichinha.
sexta-feira, 8 de maio de 2009
Luca estava esquecendo a dor quando resolveu ser ele mesmo, sem marfim.
quarta-feira, 6 de maio de 2009
puro instinto
Animais zumbiam enquanto renascia o Sol, após morrer milhares de vezes. Ele estava nu no deserto e se achava completo, sereno. Sentiu que estava cumprindo sua missão, ou que tinha cumprido com louvor. Hesitou tenso, lembrou de seu quase-afilhado que morrera enquanto plano semi-completo, era um feto, um belo projeto humano que não vingou, faltou-lhe vida, e após o incidente se concretizar a mãe não vingou em sintonia, morreu de fome com a dispensa cheia. Findado o pensamento, o Sol alcançou seu esplendor do meio dia e sussurrou luz na pele do corpo desprotegido, seguiu-se de arrepio e pergunta "Deus, se acaso cumpri minha missão, e todos cumprem suas missões, a missão de uns é matar outros?" Deus engasgou, e ao chegar neste questionamento o Sol esfriava e banhava de cores as lágrimas secas que deslizavam entre as rachaduras da pele áspera. Viu o Sol no auge da sua beleza e percebeu que era o momento mais próximo de sua nova morte, os animais voltaram a fazer barulho, que dessa vez se assimilava mais à silêncio, como se respeitassem o momento. O Homem lembrou do rapaz que rezava diariamente pedindo dinheiro, riqueza, poder... e saúde, este sempre fora atendido pelo tão generoso Deus, que agora se encontrava engasgado com tão simples questionamento, Deus que, por rezar baixo (fruto da inanição), não conseguiu escutar o mendigo que morreu de fome defronte ao supermercado. Ás onze e cinquenta e oito sentiu uma fraqueza, não sabia o que Deus era, no que Deus se tornara, perdeu a fé no último minuto de vida, escreveu na areia que não havia missão, e com o frio deitou-se em posição de feto, servindo como ponto final de uma frase recém concluída. Ao amanhecer, ao renascer o Sol, havia uma nova duna, nenhuma frase, nenhum corpo, apenas alguns bichos que festejavam o dia sem consciência, puro instinto.
domingo, 19 de abril de 2009
sexta-feira, 17 de abril de 2009
15 de abril de 2009
Uma vontade de ser só som.
15 de abril de 2009
quarta-feira, 8 de abril de 2009
23 de março de 2009
23 de março de 2009
20 de março de 2009
Tem um poço azul por detrás das entrelinhas que não mais se vê, pulso pulsando em meios termos, limitados, ofegantes, tênue coração de ser, de estar, afogar-se no ar, no meio de todos sentir-se deslocado, fingindo colocamento para nada. Tem-se que amar o lago azul, apenas por ser lago...
20 de março de 2009
INTERVENÇÃO E...
(3.'S NO aR)
Peito que pulsa.a
dor que desatina, o silêncio
Gritaria. CORAGEM, LHOVARDE.
terça-feira, 31 de março de 2009
12 de março de 2009
muito que provavelmente a causa há de ser o pequeno,
ou grande desespero de uma espera, mas não importa o que aconteça:
se por acaso for como se espera a graça se esvai, se evade forçadamente,
exala por cada greta, cada possibilidade de fuga.
Espera-se pelo previsível e despreza-se o previsível, que povo é esse?
é uma questão de costume, educação, é possível mudar, acostumar com certas coisas
apenas com certas e por isso mesmo tem-se que ficar atento,
o certo e o errado são conceitos duvidosos, então cuida das coisas estranhas.
domingo, 8 de março de 2009
07 de março de 2009
Fujo do tema, me perco nos pensamentos (são infinitos), mudo palavras e pontuo errado -cada um desses atos tem sua impotância- isso é porque não tenho que explicar, não tenho que ganhar nada, nem vou perder, apenas idéias [muito bem (des)organizadas].
07 de março de 2009
07 de março de 2009
pena,
cantar eternamente:
a, velha,
mesma (uma palavra vicária)
Resiste ao sono,
entrega-se,
dormir,
acelerar,
mover o que se move.
Inomeável descompasso, inqualificável.
04 de março de 2009
{apesar da repulsa, os parênteses ficarão abertos}
03 de março de 2009
Volta Joana sorrindo após meses de desaparecida, casou-se, foi infeliz e viveu solteira para sempre.
não, não, não: Joana volta viúva, nunca pensou em separação, era apaixonada pela mente do marido, que carecia de outras qualidades (coisa sem importância diante do cérebro). Admirava-o dormindo, de perto, de longe, ela admirava a maciez de seu sorriso, não tinha medo de sua mão, gostava de sua fé, sorria como o pôr-do-sol e sonhava ao se esquecer da finitude da vida. Acreditou na união eterna, mesmo que por alguns segundos e alguns abraços. Talvez por ter tido medo, morreu sem ninguém saber realmente a causa da morte, e os médicos disseram em uníssono: "Joana, nem ele explicaria". Mas Joana continuou viúva-viva, às vezes sofria (pouco), chegou a pensar no céu e no inferno, na verdade era atéia de coração, as pessoas não lembravam se ela sempre o fora, mas agora sabiam o que ela era. Pensava no passado demasiadamente, não sofria sempre mas chegou a se arrepender sete vezes por não ter levado "sua mente" ao médico do décimo nono andar, teve receio da sociedade e odiou a sociedade até ser tolerante novamente. Fingia que nada mudara, sabia que agora era outra pessoa e pensou em se mudar novamente, pensou em vão: pensou por não haver o que fazer na sua situação.
