mais incrível que a minha saudade do que ainda está por vir é minha capacidade de fazê-la virar passado para não ver nada disso acontecer.
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
domingo, 21 de novembro de 2010
mês
os dezembros chegam rasantes. eles chegam calmos, cheios de responsabilidades e fogos. os dezembros chegam tão rápido quanto se vão. os dezembros sempre chegam, mas nunca é dezembro. antes de anunciar um fim, ele anuncia previamente um novo começo, atrapalhado, coitado, se desdobra em poucas e em muitas palavras, invertendo a ordem do que há de ser anunciado cronologicamente, metodologicamente, pacientemente. dezembro é muita água, é sol, é limbo. e assim como o limbo, não se sabe o que é o dezembro. não se sabe se é algo bom, quente, fresco. não há conhecimento pois os dezembros passam despercebidos. o dezembro existe apenas na saudade que chega no primeiro de janeiro. e no fim de cada dezembro nada se aprende, apenas dezembro, e sua saudade.
posto que nada, além dos dezembros, anunciam um começo, ates de terminar.
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
Eu nem sabia,
mas ainda tenho algumas camadas de pele é pura dedução matemático-científica uma razão de quem descama todo dia mesmo sendo feito de pele A mesma razão que me impele ao frio e me faz repensar tudo que já descamei e o que ainda hei de escamar acontece a todo momento a falta de uniformidade e durante o dia chego a mudar de cor de falta de abundância de relutância de pigmento Me surpreendo assim com a lucidez que foge de mim mesmo e que o mesmo de mim cria para conseguir sair dos problemas que nem existem é apenas impossível ser completo irracionalidade ainda não me cabe tentar assim ser dito isso me vale um pouco de razão para explicar cada gesto e cada aspiração Fico com a alergia pois sempre me pareceu bem adequada aos momentos díspares Por fim e não mais em meio com toda a razão deste momento fujo da razão não há mais as nuvens de outrora.
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
em cartaz
Algumas vezes falta espaço para Sabadin se expressar. Ele procura um guardanapo em branco, mas estão todos gastos. Tinta, gordura, exitação. Não há muito espaço no seu relógio também, lhe restam os cantos quase-limpos para falar de suas invenções.
Sabe ele que não se inventa nada em vão. Não se abre a boca por acaso, seja por um bocejo, seja por um grito. Ele sabe que tomaria o suco da última fruta da Terra, ele tem muita sede.
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