terça-feira, 26 de agosto de 2008

dabocavermelha

Maria da boca vermelha, a desfilar palavreados sem sentido, coisas que não faziam sentido para qualquer cidadão, nem para sua própria boca febril. Descia pelos morros, sem reparar nas horas, o Sol era seu único referencial, e mesmo assim, ela pouco dava atenção a ele.
Ela tinha sangue a mais de 40ºc nas ancas, e suas coxas, reluzentes como seu sorriso (imperceptível), pulsavam disfarçadamente. As pessoas costumavam reparar nela, mesmo sem interesse algum de se aproximar, era apenas olhar, raramente desejar, mas seria pecado demais sentir o cheiro de sua pele queimando por baixo de seus panos baratos.
Era toda média, medida, toda disfarçada. Não fazia questão de disfarçar, por vezes tentava demonstrar, coisas que nem ela sabia.
Descobriu-se por fim, estava andando em círculos desde que tinha consciência, ficou inconsciente por algum intervalo de tempo, o suficiente para o Sol esfriar e dar lugar a alguma coisa sem luz própria. Deparou-se em um lugar muito branco, muito limpo, o cheiro era desconhecido, mas seu pano barato estava com alguns borrões de sangue. Chorou por um tempo, como de lá não se via o Sol, não se sabe o quanto chorou, sabia que havia chorado por não ter o que fazer. Não sabia andar mais, nunca gostou de escândalo, preferia chorar quando não havia muito o que se fazer. Achou estar no céu, assim deduziu.
Acorda com a cara marcada de asfalto, estava na rua, sente um gosto de planta, havia uma flor branca na sua boca, com o caule firme e frágil, lutando para permanecer com a raiz entre concretos. Pensou, muito que rapidamente, em cuspir e se livrar daquela situação, se lembrou que era uma flor, não era uma pedra, resolveu pôr para fora com a língua, delicadamente, para não machucar a simples elegância. Ouviu conscientemente o roçar da língua nos lábios secos e na flor macia, seca. sentiu que iria ficar surda com tanto barulho, mexeu os braços em posição de flexão e se livrou da dor de ter o poder de matar tão íntegra espécie. Seu pano de cobrir o corpo estava com os mesmos borrões vermelhos que havia notado no local onde chorara, suspeitou que estava reencarnando, suspirou. Cuidadosamente percorreu com as mãos sujas de areia boa parte de seu corpo, agora acinzentado, limpou-o como pôde, não levantou a cabeça, não abaixou a cabeça, andou pensando nos seus pensamentos.
Decidiu uma coisa: não iria se casar. Conhecia o bastante a si mesma para saber no que daria um casamento, tal pensamento a tranqüilizou, mais suspiros do batom borrado, não sabia o que era relógio, a felizarda.

domingo, 24 de agosto de 2008

Geni, me confundiram com você. utilizaram um nome da moda, como se o seu fosse algo incompreensível. o fato de não terem utilizado de teu nome, de tua sina, me faz repensar se estavam a me comparar contigo ou com qualquer outra pessoa, ruim. e se acaso estão a me confundir/comparar contigo, fico feliz, se não... fico preocupado (com nem sei o que).
Geni, ninguém bem te amou, por você mesma não deixar, não ter tempo.
um afago de quem te entende, um beijo.

sábado, 23 de agosto de 2008

as decisões parecem pesar mais
quando tudo parece em ordem,
(desordem) insisto sempre em fazer essa rima pobre,
mesmo sem a intenção de rimar sons.
acredito que nunca quis ter dezoito anos (por ser a idade das decisões decisivas),
quando penso em dizer que não estou pronto pra isso, olho ao meu redor e sinto que ninguém está inteiramente pronto, alguns apenas fingem melhor... a cada dia fica mais claro que os que fingem ser mais fortes são os mais sensíveis e frágeis. fica mais claro, brilha, mesmo que não seja.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

mania nacional

"joguei verde e colhi maduro". cada palavra proferida me faz ter mais dúvida do que é verdade e do que é puro confete de jornal. A verdade é o que queres dizer ou o que diz forçado? É silêncio, gritaria, valsa, tango. É o que afinal?
é o que se quer ouvir rezando para não ser verdade, para não ouvir. é um pedaço de fruta madura, podre, é mais do que o fruto de um acontecimento. Interferências pessoais fazem parte da verdade? O quão verdadeiras duas versões díspares podem ser? (são?)
Entre as mil vertentes do mundo, em uma vejo a verdade, ao menos o que considero verdade, vejo verdade transbordando nos olhos de uma criança, se formol não fizesse mal (apenas conservasse) colocaria todas as crianças para dormirem em banheiras preenchidas com tal.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

O meu peito cresce, alucinadamente,
não são metros, é sangue.
Vermelho, como teus lábios.