...e o senhor desatinou a falar, como se fosse sua ultima chance de dizer tudo que sempre quis dizer, sentia ser a ultima chance, ou era apenas mais um ataque de um velho psicotico? isso ninguém nunca soube.
_Quero amigos novos! Os velhos tem me dado trabalho, veja só que desatino! eles marcam horários que nunca chegam, e se chegam reclamam da programação da TV, do dominó arranhado e do baralho cheirando mofo.
_Meu senhor, isso faz parte. Mas eu também quero amigos novos...
_Assunte só o que me ocorreu na noite derradeira: um rapazinho, meio que em mudança de fase ainda, sugeriu ir para uma churrascaria no horário do jantar de hoje, mas oxente! temos um amigo vegetariano. Ó meu senhor, não dá para conviver assim... vou abandonar costumes? não pode, mas devo.
_Você é também!?
_Eu não moço, eu até gosto dos bichinho tudo, tudinho mesmo, mas a água inunda a boca quando vejo todo aquele tipo de bichinho numa travessa na mesa com aquele aviso em vermelho que ninguém vê e todo mundo sente: "alimente-se".
E então o velho fica só, não tinha percebido a deixa de uma possível amizade sólida. Suas olheiras já rastejavam no chão e seus ossos pesavam toneladas quando na última queda ele desaba bruscamente como uma pluma numa brisa, desaba bruscamente como uma pluma numa brisa.