terça-feira, 4 de agosto de 2009

As pessoas continuam sangrando, como se sobrasse sangue em seus corpos. Todas estas pessoas estão sangrando, desde as que apenas sangue são, de tão rubras, até as que pareciam ser apenas músculos secos, detentores de uma imaginável força bruta.
Quando o sangue começa a jorrar, a inundar o salão, acredita-se que se torna visível o que nem nomeável é, mas, neste momento, hão de aparecer corpos que fingem não ter sangue nem olhos, nem sensibilidade, nem tato, agindo como alma que nada teme e nada sente.
Algumas vezes, depois de muito sangrar, falta sangue. A pele empalidecida prenuncia fraqueza, os músculos secos começam a virar farelo e o que era corpo, íntegro, torna-se líquido escoando pelas gretas encontradas.