quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

começo te contando que sei que está tarde. o dia ainda está longe de terminar, mas é tarde, muitas pessoas estão dormindo, muitas pessoas estão tentando se manter acordadas, estamos aqui como gatunos, sempre conversamos sobre essas coisas a essa hora, mas estou achando que não há mais muito tempo como sempre houve. sei que é muito tarde em diversas questões, talvez o relógio esteja adiantado, mas posso dizer que terás tempo, o mundo é normalmente inverso à nossa disponibilidade. me desculpe a desatenção, estão me pedindo conselhos, preciso dá-los, preciso dizer o que já fiz por aí, estou sempre tentando fazer com que as pessoas não cometam os mesmos erros que eu. penso que seria perda de tempo, seria desgaste em vão, cada erro deveria ser cometido apenas uma vez. yo quiero contarte qué lo siento mucho. há tempo para esclarecimentos? sei que o sol logo se ajeitará no azul que tanto varia. seu rosto está ficando embaçado, como meu próprio corpo pode ficar de brincadeira comigo? que bobagem, me desculpe se eu errar seu nome, é que seu rosto não para de mudar, e sua pele continua tão macia, queria continuar sentindo esse cheiro ao sair daqui, ao nascer do sol. queria, como da outra vez, dormir tranquilo e acordar com uma nuvem de pedacinhos seus. que música é essa que está tocando? me lembra nossa primeira briga. foi tão estranho brigar com você sem saber porque. gritávamos tão para dentro que só sobrou o silêncio no telefone. me diga, você está mesmo acordado? é como no telefone, não responde. olha, o céu está começando a clarear, nosso tempo sempre acaba antes do fim.