sábado, 19 de fevereiro de 2011

muitas coisas me envolvem

eis que chega alguém, de capús preto, sem olhos, boca fina, como sem carne, e me enxerga. eis que o mesmo ser se aproxima, pede um fósforo, sorri de leve, como quem quer brincar com o sentido das palavras. na ânsia de enxergá-lo não percebo tal intenção. o charuto tomou um tom avermelhado, forte, cor de fogo em fumo, a inexistência dos olhos tomava conta de todo meu corpo. deu duas voltas ao redor de meu corpo, como cobra estudando a janta, se arrastou para longe. frio na barriga, borboletas no estômago. passaram, passou-se, outra tarde, o mesmo capús, me ronda, me sonda, aproxima-se de minha pele, nuca, sussura: eu gosto de você, sinto um cheiro bom. como se soubesse o que sou.