quinta-feira, 15 de novembro de 2012

novembro 2012

Sabe quando acontece um encontro e várias coisas aleatórias se ligam, se explicam, se clareiam? Era Almodóvar, numa versão calma até que a cena se perde em fotografia e começo a cantarolar mentalmente um cover de Cat Power, e Lars Von Trier surge em minha mente mais límpido e puro do que qualquer presença corpórea.
Há tanta beleza nas dores. Porque? Na dor lacinante, aquela em pontada, a dor que só se sente quando se está no fundo, muito dentro, in, profundo.
A grande sacada de que é tudo um vazio de merda que uma vez você me contou em segredo, talvez como aqueles segredos de amantes que eternizam a relação -mas não. Apenas foi nosso primeiro ponto de afastamento e acho que é de uma ironia estúpida. Deus não deveria permitir desencontros desta magnitude. Queria te dizer hoje que sim, que tudo é realmente uma grande merda, queria esgotar os filmes de Lars Von Trier ao seu lado só para admirar o seu respeito sobre o meu silêncio. Porque eu MUITO admiro seu respeito sobre o meu silêncio. Passaria uma vida inteira te dizendo o quão bonito é ser compreendido, do quão.
Cá estou entre Almodóvar, Cat Power e Lars Von Trier. Cá estou em silêncio, tentando me desafogar em rascunhos, estou tentando negociar -palavras por um pouco de ar.