segunda-feira, 25 de março de 2013

do pouco vazio

despercebendo tudo que acontecia naquele momento, desci correndo como quem espera encontrar soluções, flores e doces. desci com o rosto suado, cabelo bagunçado, corpo levemente sonso e despojado. descia de alma, descia pronto para tudo que não aconteceria. aqueles olhos eram profundos demais para tanta leveza. queria parar, me enrijecer, limpar o suor, deixar o cabelo menos esvoaçado e pedir desculpas pela leve flutuação em esperar soluções, flores e doces. falo como se em algum momento eu tivesse acreditado ser possível emitir qualquer som compreensível. então seus olhos me penetraram sem qualquer consideração e violentamente me tornei nu. então você usou palavras sólidas, com um tom doce e um conteúdo que previamente usávamos como ofensa. queria te dizer que aquilo não me ofendia, queria rir alto, queria responder com ironia, querer mentir descaradamente. balbuciei poucos sons guturais ao abaixar os olhos, tentando resguardar alguma parte íntegra, imaginei sua cara de vencedor -um vencedor com vergonha de ter vencido algo, arrependido por ter cruzado a linha de chegada. daí então meu destino se tornou errado, só encontraria problemas, e qualquer sim, qualquer ajuda, qualquer qualquer seria muito mal recebido. o passo se tornou rígido, doloroso, a respiração ofegante, a vontade de cair tomava cada vez mais conta de meu corpo, que pouco a pouco se tornou um estorvo. fiz o que havia programado fazer, sem encontro de soluções, flores, doces. foi então que descobri que não havia morrido no mar, pois não era doce. 

Pois saiba que quando estou gargalhando, é porque estou me divertindo,
E quando estou gargalhando, é porque estou morrendo sem conseguir pedir socorro.