sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Elis

assisti Elis e lembrei de ti. as lágrimas jamais serão contidas em meu corpo, elas sempre serão bem vindas e respeitadas. chorei como há muito não choro. me derramei por inteiro em tuas lembranças. em teus gestos, em tua bondade incontida. por todas as dores que tu fingiu não ter. por tudo que não pude dizer. por tudo que sempre senti e admirei: percebi que ainda não aceitei nada que aconteceu. percebi que esse ano me atropelei por inteiro para não ter que ver tua ausência - tão sólida, tão irreal. ausência dói. parece que fui atropelado por algo que não tem nome e não tem forma. não tem pronto socorro que me acuda. não tem. teu rosto é tão lindo. dói. eu te vejo passeando por mim o tempo todo. eu te vejo em tudo de bom que faço e penso. tu é a bondade. me rasga por inteiro não te ter mais aqui por perto. o mundo se tornou um lugar tão escuro sem ti. tu era luz. tu plantou luz. de tão luz foi confundida com o sol e pouco foi glorificada. tu tornou as pessoas melhores pelo ato, pelo agir. é tudo tão fodido, que não faz o menor sentido. neguei tuas dores (nem sei porque). hoje todas elas são minhas. me vejo tentando entender o que aconteceu, me esforço muito, fico fraco - quero deitar em posição fetal e te ver de canto de olho fazendo cafuné. lembro de sangrar intensamente, sentir muita dor e medo. lembro de como tu me acalmou. lembro de como tua oração me fez curar. é tanta força. é tanta luz. é tanta! eu não sei se um dia saberei lidar com essa ausência que esvazia o mundo.
o mundo se tornou um lugar muito pior sem tua luz.
o mundo é meio treva, é meio grosseiro. o mundo é o que é.
eu te amo. serei sempre teu.

com todo meu amor,
sempre teu.