segunda-feira, 25 de março de 2013

do pouco vazio

despercebendo tudo que acontecia naquele momento, desci correndo como quem espera encontrar soluções, flores e doces. desci com o rosto suado, cabelo bagunçado, corpo levemente sonso e despojado. descia de alma, descia pronto para tudo que não aconteceria. aqueles olhos eram profundos demais para tanta leveza. queria parar, me enrijecer, limpar o suor, deixar o cabelo menos esvoaçado e pedir desculpas pela leve flutuação em esperar soluções, flores e doces. falo como se em algum momento eu tivesse acreditado ser possível emitir qualquer som compreensível. então seus olhos me penetraram sem qualquer consideração e violentamente me tornei nu. então você usou palavras sólidas, com um tom doce e um conteúdo que previamente usávamos como ofensa. queria te dizer que aquilo não me ofendia, queria rir alto, queria responder com ironia, querer mentir descaradamente. balbuciei poucos sons guturais ao abaixar os olhos, tentando resguardar alguma parte íntegra, imaginei sua cara de vencedor -um vencedor com vergonha de ter vencido algo, arrependido por ter cruzado a linha de chegada. daí então meu destino se tornou errado, só encontraria problemas, e qualquer sim, qualquer ajuda, qualquer qualquer seria muito mal recebido. o passo se tornou rígido, doloroso, a respiração ofegante, a vontade de cair tomava cada vez mais conta de meu corpo, que pouco a pouco se tornou um estorvo. fiz o que havia programado fazer, sem encontro de soluções, flores, doces. foi então que descobri que não havia morrido no mar, pois não era doce. 

Pois saiba que quando estou gargalhando, é porque estou me divertindo,
E quando estou gargalhando, é porque estou morrendo sem conseguir pedir socorro.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

eco

é preciso, mesmo que com lágrimas sublinhando cada sílaba bem pronunciada, repetir e repetir "Que o esplendor da manhã não se abre com faca" e fica um eco repetindo durante horas com-faca-com-faca-com-faca-com-faca-com-faca-com-faca-com-faca-com-faca. isso tudo dói. e daí que dói? e daí que a repetição é minha? e que essa repetição é inerente a todos os meus doces e amargos?
dói porque chega uma hora em que você se questiona quantas vezes viu o esplendor da manhã, sem faca. sem faca. é mais fácil repetir sem-faca-sem-faca-sem-faca-sem-faca-sem-faca, é tão mais fácil (cachoeira que brota)
fica um peito aberto. a-b-e-r-t-o. e a faca que teve a ousadia de tudo dilacerar parece se envergonhar do trabalho que passa a parecer tão sujo e fétido, e some -mas leva o esplendor.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Sobre toda a nudez eu tenho a dizer que dói. O ato involuntário de pensar sobre as pessoas e os acontecimentos desnudando aos poucos, camada por camada até ver na minha frente aquela coisa nua, indefesa, quase que gosmenta de tão despida de toda-e-qualquer-possibilidade.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

se as pessoas entendessem a ironia reversa de quando alguns tentam ser irônicos... a vida se tornaria ao avesso tantas vezes que seria mais nua.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

muito sentido

_A busca constante por novidade pode ser simplesmente o desejo de uma rotina.