segunda-feira, 7 de março de 2016

semtítulo

O que sobrou dos interesses carnais, brutais, fatais(?). No espelho nenhuma gota de esperança, nenhum coração de batom, nenhum arranhão descuidado. O chão se parece com uma promessa de firmeza, solidez, certeza. No chão: uma poça d'água. As coisas mais velhas do mundo ainda são novas, frescas, duras.
Olhos, peitos, coxas. Formam nada. É

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

grand mond


Que aquele garoto que ia mudar o mundo / Frequenta agora as festas do "Grand Monde"

sufoco

_Você já se sentiu sufocada?
_Sufocada como? De falta de ar?
_Você já se sentiu sufocada?
_(?)
_Pois é... Mal sabe a sorte que tem. Há muito que não me sinto assim, mas me lembrei de certa feita, de um dia péssimo. Acho que tive um déjà vu. Não sei. É inesquecível se sentir sufocado. Inicialmente está tudo bem, como tudo em nossa vida, e de repente -mas na verdade não é tão de repente assim- parece que te falta força para respirar, mas tu ainda inspira, sabe? Tu ainda oxigena, mas algo inconsciente parece se conscientizar e talvez seja hora de parar de respirar. Então tu se sente fraco, frágil, débil. Tu sente que não faz muito sentido, que as cores incomodam, queria que fosse tudo cinza, que os pássaros são desafinados, quer que o silêncio reine absoluto, tu clama por isolamento, exclusão, apagamento. Então chega um momento em que tu não sabe mais se está tentando se punir ou tentando punir o outro, mas pouco te importa quem sofrerá o que, porque tu já tá sufocando e tu nem sabe se quer sair disso ou se quer afundar de uma vez só.
_Não.
_Não fica assim, vai ficar tudo bem. Deus escreve certo por linhas tortas.
_Eu não sou uma linha torta. Ninguém escreveu nada. As pessoas são assim: sufoco. Eu sempre falei com meu leãozinho: "As pessoas são assim". Isso é tão nossa cara, que preciso ligar para ela. Estou com saudades.
_Como assim seu leãozinho? Sua amiguinha?
_Então, meu bem. Acho que já falei o suficiente. Vocês são assim, as pessoas são assim.
FIM

terça-feira, 3 de novembro de 2015

pareciam litros de leite derramados sobre a cama, parecia uma assombração, parecia um lençol comprido que nunca termina. parecia preencher tudo, parecia que tinha espaço.
parecia que há muito tempo não se vivia, pulsos estáticos, retrato na parede.
é porque era ela, porque era eu.

domingo, 27 de setembro de 2015

insônia 27/09/2015

tenho tendências por líquidos, gotas, quedas. repito, em mais um expressar, que tenho tendências que se revelam em mim a todo instante. nem são mais revelações. me sinto cansado. me sinto líquido. ao me sentir cansado me vejo como um líquido escorrendo para todas as direções e me apavoro. o cansaço dói, me esvai. o vazio de mim, esse sentir que me ronda - me torna vivo, me lembra a morte. a morte, a brevidade de tudo. olho ao redor e vejo tudo desmoronando. sinto vontade de chorar. as lágrimas começam a vir, mas também se esvaem. o vazio que era de mim passa a ser ainda mais incabível, de minhas próprias lágrimas que não conseguem sequer completar minha figura líquida. sabe quando qualquer movimento dói? pior: sabe quando ficar parado também é fazer um movimento e dói ainda mais? minha tendência é ser líquido, gotas, quedas. me vejo riacho, me vejo em barulho constante debatendo entre pedras para no fim cair. no cair eu deságuo dentro de uma imensidão de possibilidades já obsoletas. eu achei que era o porreta, mas o achismo faz parte desse ciclo.