quinta-feira, 23 de junho de 2016

Persona

Olhos grandes. Sangue. Silêncio. Preto e branco. São tantos o processos - são todos os amores.
Como pode uma força inexistente manter algo aceso por décadas?
Dois jovens. Dois estados distantes. Milhas. Muitas milhas. Não existe a hora certa de arriscar tudo e tentar por fim. Existe, pois, um momento de perceber que não existe hora certa? Que horas.
É um prego. Uma mão. Pregação. O sangue goteja - como quem não tem pressa de se deslocar. O sangue, pressionado, sangra. Eis que se pergunta: quem mais precisa de sangue? Eis que se responde: o mundo não foi feito para justiças. O sangue se esvai sem nenhum propósito. Fuga de pressão. 
O amor é a cura. O amor é uma doença. As mesmas pessoas falam as mesmas coisas e isso não faz nenhum sentido. A vida é "in". Tudo que acontece fora disso não. São acontecimentos. 
O silêncio, no fim, é o que temos. É o que os dois jovens tem. É a ousadia da vida real. Lá fora temem o silêncio - gritam, sussurram, conversam. São muitas cores, adornos e imagens. Falta o pretoebranco.

sexta-feira, 27 de maio de 2016

De que forma os acontecimentos tomam forma e te formam?


Eu tenho medo de acontecimentos. Me abro, porque muito antes já estava exposto. Medo do poder dos acontecimentos. Medo do que o alheio pode se tornar em mim. Temo as grandes obrigações, temo os grandes compromissos, temo toda e qualquer coisa que possa parecer imutável num futuro qualquer. Não dá para acreditar que tudo ficará bem. Inconscientemente, algo que vez em quando se torna muito consciente, me vejo lutando por uma rotina com pequenos, sensíveis, mirrados resquícios de novidade. Me vejo lutando contra mim mesmo para que nada mude. O quão pesada e irreversível pode ser uma pequena mudança? 5 minutos de atraso? O medo engessa. O medo cega. Minha essência pede silêncio. Meu subconsciente ordena rotina.
Como de costume algo aconteceu comigo e por isso precisei vir escrever. Aconteceu um filme. É surreal o quanto me tornei permissivo à invasão dos filmes ao meu corpo... E hoje não sei se há vantagem nisso.
é  s-u-r-r-e-a-l.

segunda-feira, 7 de março de 2016

semtítulo

O que sobrou dos interesses carnais, brutais, fatais(?). No espelho nenhuma gota de esperança, nenhum coração de batom, nenhum arranhão descuidado. O chão se parece com uma promessa de firmeza, solidez, certeza. No chão: uma poça d'água. As coisas mais velhas do mundo ainda são novas, frescas, duras.
Olhos, peitos, coxas. Formam nada. É

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

grand mond


Que aquele garoto que ia mudar o mundo / Frequenta agora as festas do "Grand Monde"

sufoco

_Você já se sentiu sufocada?
_Sufocada como? De falta de ar?
_Você já se sentiu sufocada?
_(?)
_Pois é... Mal sabe a sorte que tem. Há muito que não me sinto assim, mas me lembrei de certa feita, de um dia péssimo. Acho que tive um déjà vu. Não sei. É inesquecível se sentir sufocado. Inicialmente está tudo bem, como tudo em nossa vida, e de repente -mas na verdade não é tão de repente assim- parece que te falta força para respirar, mas tu ainda inspira, sabe? Tu ainda oxigena, mas algo inconsciente parece se conscientizar e talvez seja hora de parar de respirar. Então tu se sente fraco, frágil, débil. Tu sente que não faz muito sentido, que as cores incomodam, queria que fosse tudo cinza, que os pássaros são desafinados, quer que o silêncio reine absoluto, tu clama por isolamento, exclusão, apagamento. Então chega um momento em que tu não sabe mais se está tentando se punir ou tentando punir o outro, mas pouco te importa quem sofrerá o que, porque tu já tá sufocando e tu nem sabe se quer sair disso ou se quer afundar de uma vez só.
_Não.
_Não fica assim, vai ficar tudo bem. Deus escreve certo por linhas tortas.
_Eu não sou uma linha torta. Ninguém escreveu nada. As pessoas são assim: sufoco. Eu sempre falei com meu leãozinho: "As pessoas são assim". Isso é tão nossa cara, que preciso ligar para ela. Estou com saudades.
_Como assim seu leãozinho? Sua amiguinha?
_Então, meu bem. Acho que já falei o suficiente. Vocês são assim, as pessoas são assim.
FIM