terça-feira, 13 de março de 2012

nascendo para

as coisas começam a tomar novos posicionamentos, desconfortáveis, minha coluna dói. a dor irradia de uma forma estranha. é como se tudo começasse ao mesmo tempo no sentido céfalo-caudal, e ao completar todas as vértebras, sem pular uma sequer, começasse a se irradiar horizontalmente, seguindo as costelas, criando costelas de dor onde as mesmas se fazem ausente, me cobrindo como um colete colocado com cuidado, simetricamente, com pregos, espinhos, alta voltagem.
_Maria, a costela não protege. Se percebe com a dor que a costela não protege. Costela dói, porque me falaram que a costela protegia meu coração? Meu tórax dói, por dentro, os pulmões ao se encherem de ar esmagam tudo ao redor, e ao expirar resta um vazio enorme, um pós-bomba nuclear.
está tudo sem graça, não estou rindo, é dor. de repente aquela pessoa que mais te importa percebe que esses dias o tempo é só seu, ou mesmo ela te esqueceu, mas esqueceu em sintonia, é tudo tão bonito, dói mais. a sensibilidade está muito aguçada, coisas belas e sujas se misturam, a expressão é constante de dor, mesmo que puramente bela.
_Maria, a dor nem sempre é uma coisa feia. Você está acostumada a ver a dor como algo ruim, está acostumada a fugir da dor diariamente. Não fuja da dor. Percebe que fugir da dor é viver em função da dor? Deixa doer, deixa escorrer. Você seria um rio tão bonito escorrendo, é bonito seu rosto inchado.
o ciclo. lembro do "3 anos, 6 anos, um ciclo se fecha. entende? sabe, né? o ciclo...". parecia uma prece. mal sabia eu que iria adorá-la a cada abertura e fechamento de ciclo, a cada tentativa (em vão) de fazer o ciclo durar mais algumas horas.
ar fresco, tempo, tempo, sol, ar fresco.
_Maria, se nasce para, os ciclos nascem para, você é feita para

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

29/02

Sabe, estou vendo seus olhos distantes, se despedindo pelo vidro da janela. Nesse momento eu só consigo perceber duas coisas: seus olhos em despedida, um vidro que falsifica uma continuidade. Apenas um vidro grosso, não há nomes, não há paredes, não há chão, não há nada. Nada existe a não ser olhos em despedida com um vidro protegendo o momento, definindo, consolidando-o.
As palavras continuam pesando. Agora que seus olhos se fecharam sinto um conforto para dizer que a terapia não funcionou.
Continuo não gostando das palavras, da forma que elas chegam a mim. Continuo não gostando das palavras, do modo como elas saem de minha boca. Gosto da pele. Gosto tanto da pele.

domingo, 29 de janeiro de 2012

Hey,

não vai assim não, com esse passo apressado, essa camisa amassada, essa marca roxa no pescoço. Não tem ninguém te esperando lá fora, o portão está trancado, o calor está demais. Fica mais 5minutos, os mesmos que sempre evito pedir mas acabo pedindo por medo de demonstrar saudade da forma errada (daquele jeito que você não entende e resmunga com os olhos).

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

cartão de natal

O tempo passa, o tempo corre, é tempo de natal e só consigo ouvir nosso muxixo-conjunto “pff” “tsc”. É tempo de natal, então vamos aproveitar para dizer que o tempo passa, que o tempo nunca foi de esperar. Dizer que a melhor coisa que existe no tempo é a sua passagem, a maneira como ele nos faz querer viver, querer progredir, querer alterar as coisas, resolvê-las. A gente, que tantas vezes pede para o tempo parar, para o tempo correr, para o tempo se alterar... Uma hora acabamos frente-a-frente com o tempo, e eis que ele diz “sou o Tempo” e percebemos que isso é tudo, que ele deve continuar assim, o puro, o imutável. Por muito tempo nos recusamos a segui-lo, obedecê-lo, certamente por medo do comum, do cotidiano, visto que tudo que é comum, cotidiano, está exposto ao risco de parecer indolência, de parecer impensado.

Esse mesmo tempo que passa, no relógio, te mostra uma coisa muito curiosa: ele se repete. Logo, o que parece irremediável, imutável, o que parece não ter conserto, estar fadado ao erro, na verdade não está, e ali os ponteiros dão uma volta e todos se alinham novamente para um novo começo. É com um imenso sorriso que digo: todos os erros podem ser apagados, todas as mágoas desfeitas, todo o amor recriado, agregado, elevado. Não que sejam tempos de sol, de natal, de ano novo. Nesse tempo (infinito) que se renova ando vendo um mundo grande, imenso, tem sido difícil lidar com o tamanho do mundo. Um mundo de possibilidades, de mudanças, de renovação no sentido mais visceral que você puder imaginar. Dá pra sentir que as coisas podem mudar, melhorar, florescer. Quanta palavra boba, até parece que somos plantas que florescem.

Antes de qualquer coisa o tempo é seco, impalpável, antes de qualquer coisa o tempo é grosseiro, intolerante. É preciso saber lidar com o tempo, saber usá-lo. É preciso saber lidar com o tempo e com si mesmo, a sinergia é grande.

Sem data, sem assinatura.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Acabei de lembrar uma coisa: disse para mim mesmo que escreveria um texto para você assim que chegasse em terra de sol. Cheguei ontem, de nada lembrei. A pouco lembrei que tinha escrito um texto para você, sem muito intuito, sem nunca ter enviado, escrito e publicado em datas erradas, assim, então, me parece que nada foi escrito em intuito nenhum.