Um garoto andava por uma estrada, era no ano de 1945 e o mundo estava em conflito, mas para ele era apenas mais um dia, no qual ele estava caminhando sem destino e com sua companhia de todos os momentos, sua imaginação!
Ele pensava em coisas grandes, como virar um grande fazendeiro, poder ajudar os mais necessitados e ter um pasto verdinho cheio de caprinos, seus olhos brilhavam ao imaginar tal futuro, algo surreal para aquele garotinho, filho de pais pobres e que morava numa roça, que tinha espaço apenas para a pequenina casa e uma plantação que servia de sustento, mas ele sonhava... e se sonhava, sonhar era de graça nessa época. Mas assim como ele tinha sonhos colossais, ele também tinha sonhos de garoto, as vezes ele pensava em casar, ter filhos, ter um trabalho que desse pra sustentar o lar e um cachorro que ele sempre cuidaria como um membro a família. Daí ele pensou que seu futuro não ia dá em nada, se desesperou e começou a correr pela estrada, era visível a velocidade que os matos passavam por ele, o vento de tão forte causava dor e às vezes entrava areia nos seus olhos, seus pensamentos iam à mesma velocidade que ele estava, estavam a mil por hora e o seu coração acompanhava o movimento freneticamente, ele para e olha a sua volta, só vê mato, as pequenas casinhas tinham ficado para trás e seu cabelo estava assanhado, ele foi ate um pequeno lago que estava ali perto e quando foi lavar o rosto ‘de suor’ e riu de seu cabelo, estava realmente engraçado, viu no sorriso de seu reflexo uma razão pra não deixar que as coisas ruins o abalassem, pensou que quando nada desse certo ele iria virar “hippie” e arranjaria uma “tribo”, se imaginou viajando com um grupo de pessoas desconhecidas e riu mais ainda, ele seria chamado de louco, e ao lembrar do estado de seu cabelo, olhou para o seu reflexo e gritou: “Eu sou louco de fato” e ficou rindo da situação, o sol estava quase se pondo e ele tinha de voltar pra casa, ele estava com muita vontade de ver o sol se pôr atrás das montanhas, porque ele brincava com o sol, dizia que o sol estava se escondendo pra vê se alguém o achava, e sabia que ninguém acharia o sol, já que ele é o melhor pra se esconder, se achava esperto também por saber disso, estufou o peito e levantou-se, começou a andar novamente, só que dessa vez na direção oposta, ele estava voltando pra casa, e sua imaginação começou a maquinar coisas incríveis e assustadoras, primeiramente ele imaginou que ia virar cantor sertanejo, cantou umas duas musicas, pensou bem e desistiu da ideia, aborrecido pela desafinação, pensou em outras coisas também e sentiu que estava escurecendo rápido demais, olhou para trás e falou consigo mesmo assustado: “Sol? Como ele ta rápido hoje, é melhor me adiantar pra ganhar a corrida, porque aí empata já que ele ganhou ontem” e assim ele enche os pulmões e sai correndo com a sensação de que o mundo esta passando por ele, sente o universo correr os pés, e um frio na barriga pelo medo de chegar em casa após o pôr-do-sol, corre mais rápido, chega, senta, espera o sol ir embora de vez, levanta, vai jantar, toma um banho rápido porque ta tarde e ele ta cansado, deita e sonha com um mundo livre de guerras.
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