suor, fadiga e aperto. dorme, acorda, nem percebe que a gasolina queimou, não percebe que seu meio de transporte polui (mesmo que seja menos que os demais), esquece do que não precisa pensar, e pensa nas coisas que devem ser (esquecidas). se fosse seguir as regras, seria um projecto, e não um pedaço biológico.
chega faminto, nojento, fica entre a cozinha e o banheiro... não decide de imediato qual é sua prioridade, mal sabe escolher entre prioridades e coisas secundárias (como se não existissem coisas secundárias). decide por qualquer coisa, que nem importa, escolha feita baseada no tempo, no possível atraso. acontece tudo rápido e como quem nada quer, aparece na portaria, na rua, na calçada, no supermercado, no estacionamento, na rua, na rua, na rua, na chuva. apreciou as gotas da chuva e logo se preocupou com o couro, preocupação breve. milhões de charmes no ponto, no ponto exato! pensa-se que iriam acompanhá-lo, mas é deixado de lado, sem perder um breve sorriso. espera (quase que pacientemente), entra, observa as expressões, algumas familiares, outras rústicas, nenhuma indiferente (indiferença alguma). tenta concentração, recorre ao remédio receitado pelo doutor dos olhos, nada. é a dor querendo que pense, pense, pense, em tudo que não seja alheio à ele mesmo, ao seu "eu". pensa tanto que dorme, acorda, tenta abrir os olhos preguiçosos, tenta fazer os músculos da face reagirem depois de anestesiados. vai embora, é calor, chuva, vozes, "send", voz, "end", gritos, estardalhaço, fila. tédio. fila. chega, senta, levanta, ri, pirraça, sem suspiro, sem goiaba, sem jujuba.