ai indiferença, penso no dia em que tu era uma palavra em um dicionário. penso no dia em que uma flor, como quem canta com o corpo, me disse que tu era o pior sentimento, que tu era o avesso do amor. isso foi marcante indiferença, desde então não paro de pensar em ti.
sempre que há tempo e oportunidade você começa a rondar por minhas palavras fracas, poucas. fui construindo conceitos, o que não é necessário, mas os criei como se cria filhos. mas fui um monstro, eu não agregava os filhos: os substituía, era impossível conciliar João com Maria, dolorosamente tinha sempre que escolher um em detrimento do outro. Hoje uma boca me disse que acreditava piamente em você, eu apenas duvidava de sua existência, tenho argumentos convincentes, até ganho debates, mas não convenço ninguém, nem a mim mesmo.
chego ao pensamento onde quem é (se é que existe esse alguém) indiferente não o sabe, nem o pensa, nem ninguém sabe, nem pode saber. quando alguém souber perde o encanto, o significado, a significância.
no fim do dia, após dormir enquanto o sol estava no ponto mais alto que poderia alcançar (de acordo a algum referencial que ignoro), descubro que esse foi tema de reflexão em uma sala de aula. o sono e a dor de cabeça me impediram de sentir um arrepio de momento, mas rasgaram minha boca em sorriso.
ai indiferença, se tu existir de verdade, me mande uma carta. e um beijo: de despedida.