Em um ano que ainda não acabou, cansativo, me aproveito de certas aulas e de certas idéias para poder me esquecer do quão selvagem ter 18 anos é. O bicho do mato, que de assustador não tem nada, me deixa surpreso a cada história, mas dentre todas, uma é constantemente relembrada, sem enjôos. Era uma história, fato, de um estudante de cursinho que não morava com seus pais, estes viviam no interior, enquanto sua cria estava crescendo na capital. Em algum momento a cria disse que só gostava da mãe, e que isso se devia ao fato do pai não gostar e nem dar atenção a ele. Segundo a criatura, a mãe sempre atendia o telefone, e telefonava também algumas vezes, enquanto a figura paterna atendia raras vezes, e quando atendia passava logo o telefone para a esposa(mãe). Me deu um aperto no peito. No fim, o bicho do mato descobriu uma coisa, coisinha que nem precisava ser descoberta, e nem sei se deveria... O pai, esculpido em gelo, era o sorvete de morango no sol, ia para o quarto e chorava saudade.
(final modificado, no original seria: ia para o quarto e chorava, não aguentava era de saudade.)