sábado, 20 de setembro de 2008

tomando banho, de poros limpos, achei que me fizesse bem escrever. Para não variar, continua um certo ciclo de imprevisões, coisa que me excita cada vez menos. Teria eu envelhecido de tanto pensar? De tanto não querer tudo e escolher qualquer coisa utilizando critérios de qualquer pessoa. Via "qualquer" como uma palavra feia, hoje vejo verdade nela. Sei que ela não é charmosa, rimada, pomposa, ela é dura e precisa (quando bem pensada).
Mas a vida vai bem, o velho e o quase-moço tem me ensinado macetes decomo ver situações, fico abestalhado com algumas frases. O moço (ou quase) me ensina a rir, a refletir meus eternos pensamentos de momento, que por hora julguei ser o único ser a tê-los. Um, dois, três suspiros. O velho me ensina das coisas mais bonitas de um jeito bonito: não pega na mão, não sorri facilmente, decifra gestos como quem flutua, ah se não pesasse... O tal velho me fez ter algumas certezas (o que é sempre bom ter: algumas, poucas, certezas), mas tais certezas são falhas, já começam com anotações e interrogações.
Minhas mãos pardas deslizam sobre qualquer superfície, em um rítmo envolvente, meu corpo segue, minha mente muda.
E se eu desistir dos poemas e sussurrar-te minha não decisão dos dezoito anos? Sim, não decidi muita coisa. Acabo de decidir que preciso de decisões, mas é tão perene. Era mais fácil decidir se tentava dormir ou se tentava permanecer acordado durante a noite, mas até essa não decisão foi roubada pelo passar das horas. Sei que invariavelmente irei dormir, certeza rala na infância que me fazia esperançoso.
Estar sem credo facilita a mente, mas dificulta decisões.
Sabe o que eu gosto mesmo? É de não ter tempo para pensar, mesmo contando segundos para isso. Quem é total estável? Afaste-se de mim, ou amarei toda distância passível.