quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
um gostar de um estranho gosto (16/02/09)
Gostar do cheiro de algo que não se gosta parece ser meio (completamente) estranho, já que o cheiro remete a coisa em si. Gostar do cheiro de certos vapores com partículas acinzentadas pode ser até explicável quando se traduz (se define) tal gostar como um gostar não do próprio cheiro em si, mas gostar de imaginar a origem (recente) deste cheiro, deste vapor quente que se concentra até não poder mais, esquentado por milhões de células, pelo pulsar do peito, pela agilidade sanguínea, atrito, tentar aproveitar o pouco que se tem de bom naquele ar, roubando o ar que não se pode guardar. O gostar do estranho passa a ser gostar do comum, gostar do que todos gostam, a menos que não se goste.