quarta-feira, 24 de junho de 2009
cartão postal na véspera de natal.
Meu bem, ainda estou viajando, não cheguei ainda onde pretendo chegar e não sei se um dia poderei estar lá, sei que ainda me locomovo, enquanto posso. Aqui não faz calor nem frio, é tudo muito ameno sem você, sua proximidade que me põe em brasa e sua pequena distância que me congela agora não mais agem sobre mim, a distância é demais. Novidades surgem a todo momento e se sobrepõem de tal maneira que não sei dizer se são independentes ou se é uma coisa só, um só doce-monstro-gigante a tentar me assombrar enquanto o saboreio. A música está acabando aos poucos e o Sol se move lentamente, como quem se sacrifica ao subir uma montanha de lixo hospitalar, mas sabemos, é a única coisa que sabemos afinal, que depois ele despenca bruscamente com todo seu peso e brilho espalhando escuridão. Agora anoitece e amanhece de uma maneira diferente, os dias não parecem tão longos nem as noites tão curtas, eles se equilibram e nada parece ser tão lento ou tão demorado. Meu bem, estamos tão longe, mas nunca senti seu cheiro como sinto agora, alguns dias acordo exalando você e tentando internalizar tudo de ti que consegue sair de mim, daqui. Meu relógio começou a brincar de corrida, de ir e de voltar, resolvi guardá-lo naquela mochila de inutilidades até que sirva para me alimentar, junto com todos os outros objetos de valor (eles se tornaram inúteis como barras de platina no deserto). Agora estou só, nosso cachorro morreu e tem mais de duas semanas que não vejo espíritos. Alguns momentos me sinto só, mas passa, eu sempre gostei de estar só, talvez eu consiga isso de volta para mim. Estamos longe, não sei se sinto saudade, se amo, se gosto de você. Sinto sua falta.