domingo, 9 de agosto de 2009

algumas vezes penso em criar um amor para poder escrever centenas de cartas desesperadas, escrever sobre meu sábado à noite, encher de detalhes, sabendo que o suposto amor vai ler com desprezo, com preguiça, vai ignorar todo e qualquer esforço que eu faça para chamar a atenção ou surpreender.
deve ser bom ter um amor criado para não se sentir desamparado domingo meia noite e segunda de manhã cedo, criar um amor que quando começar a errar, quando começar a machucar, se possa usar uma caneta para consertar todos os defeitos. um amor que me faça escrever horas em um papel de 7 centímetros quadrados para depois jogá-lo fora, como se o amor morasse no lixo.
mas o amor não mora no lixo, mesmo o inventado, ele nunca vai ler todos os bilhetes, seria inviável. e se, por acaso, eu tirasse um pedaço meu e criasse a partir dele um amor, será que daria certo? não que eu queira um amor a qualquer custo, não quero um amor de verdade, quero uma brincadeira sob controle que me dê mais evasão, me dê pano para manga, um devaneio de carnaval duradouro.