A Das Dores sempre foi de muita dor e pouco sofrimento, sorriso farto e coração de criança, fria como um inverno pode ser. Seu andar, cambaleante, fruto de um passado sem chão, a fazia se perder pelas ruas, incomunicável, intransponível, gostava de estar sempre in, de ser sempre in. Nos seus olhos de farol com pouca energia o mar se fazia em poças. Poças imutáveis, intransponíveis, eram formadas, como quem vive em constante choro, mas nunca deságua. O que é triste, muito mais triste, um choro que não termina, como se nunca doesse o suficiente, como se sempre estivesse doendo. E doía.
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