Quantas,
quantas manhãs
foram abertas a seco,
com faca, com força.
Com faca se abre corpos,
centenas,
centenas.
Se tira sangue,
órgãos.
Com faca quase-tudo
se abre,
se devassa,
se invade,
se explora.
Sem pedidos de licença,
é com faca.
Com faca
não se abre
o esplendor
da manhã.
(Para Manoel de Barros, para sua sábia-infância-eterna)