Depois de um abandono desplanejado, volto com lamentos e cacos em mãos. Me é costumeiro aparecer assim: arrastado, cabisbaixo, sem muito motivo e explicações, sem qualquer racionalidade ou pedaço de pedra.
A racionalização me leva a um caminho torto, concluo que deve ser um misto de todas as pequenas dores que sozinhas não se sente. Mas racionalização é apenas uma tentativa branda e pobre de pôr água morna sobre feridas descicatrizadas. Não cura. Não ajuda. Engana, lava. Limpa algumas gramas de desespero, alimenta o infinito vazio que escorre ali, invariavelmente escorre ali.
Sinto que isso tudo ainda vai me destruir, arrancando pedaços, corroendo pele, ossos, vísceras. Sinto que isso tudo ainda vai alimentar minha vida. Sinto que tudo isso faz tão parte de mim. Sinto que cresço para poder ser subtraído em mim mesmo.
A racionalização me leva a um caminho torto, concluo que deve ser um misto de todas as pequenas dores que sozinhas não se sente. Mas racionalização é apenas uma tentativa branda e pobre de pôr água morna sobre feridas descicatrizadas. Não cura. Não ajuda. Engana, lava. Limpa algumas gramas de desespero, alimenta o infinito vazio que escorre ali, invariavelmente escorre ali.