terça-feira, 13 de setembro de 2011

nudez

Acordei nu. Não há roupa que me caiba, não há livro que me cubra, não há boca para me explicar.
Acordei tão nu que foi preciso de um tempo para que eu começasse a compreender tamanha nudez, essa liberdade que assusta.
Não tem mais graça seu desentendimento de mim. Minha pele está aqui, você vai continuar fingindo que não está vendo? Até quando? Não tenho como te falar de cada cicatriz assim, estão todas tão cruas, tão visíveis. Eu sei que eu falo muito de cicatrizes, e nunca continuo. Pode sim parecer que não sei do que estou falando. Você acha mesmo que não sei do que estou falando? Meu Deus, porque estou falando? Porque está parado com esses olhos enormes em mim? Se você soubesse o quanto dói falar. Não posso te dar todas as minhas verdades como em presente, mas peço que acredite na minha dor.
E se não acreditar, olha, meu corpo se fecha, adormece, ileso.