terça-feira, 4 de outubro de 2016

a) que o esplendor da manhã não se abre com faca

a) que o esplendor da manhã não se abre com faca
a) que o esplendor da manhã não se abre com faca
a) que o esplendor da manhã não se abre com faca
a) que o esplendor da manhã não se abre com faca
a) que o esplendor da manhã não se abre com faca

te transformei em mantra, te repito todos os dias, te leio silencioso em todos os roda-pés. te leio nos olhos alegres e nos tristes. te leio nas entrelinhas das palavras que caem em meu colo feito bomba, e também nas que caem feito pluma. te leio, porque desde que te conheci não consigo não ler. choro. te leio no espelho quando me olho escovar os dentes, e quando não olho também. te leio ao acordar chateado ou ao receber uma boa notícia. te leio tanto porque tento te entender, e temo ter entendido tudo errado. O ESPLENDOR DA MANHÃ NÃO SE ABRE COM FACA. nomeou meu blog, nomeou meus dias, nomeou meus relacionamentos, meu trabalho, meu dormir. nomeou amizades. tu, além do medo, também me trouxe tranquilidade para observar, sentir, calar. queria que manoel de barros soubesse o quanto me modificou. carnal. então, com tanta paz, o medo é amenizado. finalmente me permiti testar esse auto-conhecimento não confidencializado, não explorado em análise, não dito em psicoterapia. às vezes o teste dói. sangra. testei querendo estar errado, querendo precisar de um tempo para repensar tudo que já se passou e amadurecer como quem se é outro ser. não consegui. era preto-no-branco. não tinha sequer um tom cinza para me fazer matutar um sentido qualquer. essa coisa assim sem tons... seca. dói. é a faca. ela por fim me olha nos olhos e sussurra: letra-a-fecha-parenteses-espaço-que-espaço-o-espaço-esplendor-espaço-da-espaço-manhã-espaço-não-espaço-se-espaço-abre-espaço-com-espaço-faca-fim(sempontomesmo)