domingo, 18 de setembro de 2016

os caminhos que nos encontramos são tão tortos que nem sei como começar a escrever sobre isso tudo. estamos há meses de distância, estamos muito distantes, e hoje, não sei porque hoje, mas foi hoje, você me atinge. era para ser uma banalidade sem sentido, era para estarmos falando sobre como a vida é engraçada, bonita e divertida. mas somos constituídos de verdades, e foi assim que nos machucamos e nos admiramos. aquilo que somos ainda vai nos destruir, né? mas só assim conseguimos ser nós mesmos, nessa união remota, distante, inacabável. no fim nos unimos para odiar tudo que nos machuca. tudo que te faz mal. tudo que me adoece. estou aqui, tá? e é tudo que eu sei dizer nesses momentos. porque foi tudo que eu gostei de ouvir nesses mesmos momentos. tudo dói, escorre, sangra, esvai. li isso ontem no "estar sendo, ter sido" da hilda hilst, e me senti tão acalentado. hilda hilst faz isso comigo, sabe? sinto que não estou só no canto do quarto com uma visão decadente do mundo. uma visão batida, banal, etc, mas que ninguém se move para mudar. nem sei mais do que estou falando, eu só queria falar com você e te abraçar. o abraço de alguma forma me ajuda nas dores emocionais, também li algo sobre essa sensação do abraço acalmar pessoas com asperger. somos todos a mesma coisa. somos repetições. somos únicos.
estou aqui, tá?

sexta-feira, 8 de julho de 2016

os bons

Os bons morrem cedo.
Dessas frases bobas que soltam para consolar um ente querido, que tentam explicar os ocorridos sem explicação. Dessas frases que acalmam. Dessas frases que doem. Dessas frases que veem acompanhadas de uma sombra nefasta. Dessas frases que arrancam um pedaço de ti com um sorriso de canto.
Não dá para esquecer do olhar, do sorriso, da bondade. Eram três características que não passavam jamais despercebidas. À sua porta existia um portal que impedia que qualquer mal entrasse, e era renovado às 18h com um terço. Eu te amo tanto.

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Persona

Olhos grandes. Sangue. Silêncio. Preto e branco. São tantos o processos - são todos os amores.
Como pode uma força inexistente manter algo aceso por décadas?
Dois jovens. Dois estados distantes. Milhas. Muitas milhas. Não existe a hora certa de arriscar tudo e tentar por fim. Existe, pois, um momento de perceber que não existe hora certa? Que horas.
É um prego. Uma mão. Pregação. O sangue goteja - como quem não tem pressa de se deslocar. O sangue, pressionado, sangra. Eis que se pergunta: quem mais precisa de sangue? Eis que se responde: o mundo não foi feito para justiças. O sangue se esvai sem nenhum propósito. Fuga de pressão. 
O amor é a cura. O amor é uma doença. As mesmas pessoas falam as mesmas coisas e isso não faz nenhum sentido. A vida é "in". Tudo que acontece fora disso não. São acontecimentos. 
O silêncio, no fim, é o que temos. É o que os dois jovens tem. É a ousadia da vida real. Lá fora temem o silêncio - gritam, sussurram, conversam. São muitas cores, adornos e imagens. Falta o pretoebranco.

sexta-feira, 27 de maio de 2016

De que forma os acontecimentos tomam forma e te formam?


Eu tenho medo de acontecimentos. Me abro, porque muito antes já estava exposto. Medo do poder dos acontecimentos. Medo do que o alheio pode se tornar em mim. Temo as grandes obrigações, temo os grandes compromissos, temo toda e qualquer coisa que possa parecer imutável num futuro qualquer. Não dá para acreditar que tudo ficará bem. Inconscientemente, algo que vez em quando se torna muito consciente, me vejo lutando por uma rotina com pequenos, sensíveis, mirrados resquícios de novidade. Me vejo lutando contra mim mesmo para que nada mude. O quão pesada e irreversível pode ser uma pequena mudança? 5 minutos de atraso? O medo engessa. O medo cega. Minha essência pede silêncio. Meu subconsciente ordena rotina.
Como de costume algo aconteceu comigo e por isso precisei vir escrever. Aconteceu um filme. É surreal o quanto me tornei permissivo à invasão dos filmes ao meu corpo... E hoje não sei se há vantagem nisso.
é  s-u-r-r-e-a-l.

segunda-feira, 7 de março de 2016

semtítulo

O que sobrou dos interesses carnais, brutais, fatais(?). No espelho nenhuma gota de esperança, nenhum coração de batom, nenhum arranhão descuidado. O chão se parece com uma promessa de firmeza, solidez, certeza. No chão: uma poça d'água. As coisas mais velhas do mundo ainda são novas, frescas, duras.
Olhos, peitos, coxas. Formam nada. É