segunda-feira, 28 de novembro de 2016

joão conheceu marcos há 2 anos, há 1 ano estão namorando e há 3 semanas joão pediu marcos em noivado. joão, muitas vezes sente que não sabe o que está fazendo, marcos não sabe porque aceitou o pedido. marcos não quer que joão saiba de algumas coisas do seu passado. joão é um rapaz confuso, que aos seus 29 anos teme muito que aos 30 tenha que virar adulto e pagar as próprias contas. marcos tem medo de se casar e se tornar o que as pessoas sempre quiseram que ele fosse. marcos não sabe o que ele é. joão chora sem motivo aparente toda vez que toma banho sozinho. marcos acha que é uma boa pessoa, mas que algumas condutas anteriores suas faria joão duvidar disso. joão gosta de dormir logo após o sexo. marcos acha incrível como joão fica atento e conectado a ele depois de transar.
e foram felizes para sempre, ninguém sabe porque.

terça-feira, 4 de outubro de 2016

a) que o esplendor da manhã não se abre com faca

a) que o esplendor da manhã não se abre com faca
a) que o esplendor da manhã não se abre com faca
a) que o esplendor da manhã não se abre com faca
a) que o esplendor da manhã não se abre com faca
a) que o esplendor da manhã não se abre com faca

te transformei em mantra, te repito todos os dias, te leio silencioso em todos os roda-pés. te leio nos olhos alegres e nos tristes. te leio nas entrelinhas das palavras que caem em meu colo feito bomba, e também nas que caem feito pluma. te leio, porque desde que te conheci não consigo não ler. choro. te leio no espelho quando me olho escovar os dentes, e quando não olho também. te leio ao acordar chateado ou ao receber uma boa notícia. te leio tanto porque tento te entender, e temo ter entendido tudo errado. O ESPLENDOR DA MANHÃ NÃO SE ABRE COM FACA. nomeou meu blog, nomeou meus dias, nomeou meus relacionamentos, meu trabalho, meu dormir. nomeou amizades. tu, além do medo, também me trouxe tranquilidade para observar, sentir, calar. queria que manoel de barros soubesse o quanto me modificou. carnal. então, com tanta paz, o medo é amenizado. finalmente me permiti testar esse auto-conhecimento não confidencializado, não explorado em análise, não dito em psicoterapia. às vezes o teste dói. sangra. testei querendo estar errado, querendo precisar de um tempo para repensar tudo que já se passou e amadurecer como quem se é outro ser. não consegui. era preto-no-branco. não tinha sequer um tom cinza para me fazer matutar um sentido qualquer. essa coisa assim sem tons... seca. dói. é a faca. ela por fim me olha nos olhos e sussurra: letra-a-fecha-parenteses-espaço-que-espaço-o-espaço-esplendor-espaço-da-espaço-manhã-espaço-não-espaço-se-espaço-abre-espaço-com-espaço-faca-fim(sempontomesmo)

domingo, 18 de setembro de 2016

os caminhos que nos encontramos são tão tortos que nem sei como começar a escrever sobre isso tudo. estamos há meses de distância, estamos muito distantes, e hoje, não sei porque hoje, mas foi hoje, você me atinge. era para ser uma banalidade sem sentido, era para estarmos falando sobre como a vida é engraçada, bonita e divertida. mas somos constituídos de verdades, e foi assim que nos machucamos e nos admiramos. aquilo que somos ainda vai nos destruir, né? mas só assim conseguimos ser nós mesmos, nessa união remota, distante, inacabável. no fim nos unimos para odiar tudo que nos machuca. tudo que te faz mal. tudo que me adoece. estou aqui, tá? e é tudo que eu sei dizer nesses momentos. porque foi tudo que eu gostei de ouvir nesses mesmos momentos. tudo dói, escorre, sangra, esvai. li isso ontem no "estar sendo, ter sido" da hilda hilst, e me senti tão acalentado. hilda hilst faz isso comigo, sabe? sinto que não estou só no canto do quarto com uma visão decadente do mundo. uma visão batida, banal, etc, mas que ninguém se move para mudar. nem sei mais do que estou falando, eu só queria falar com você e te abraçar. o abraço de alguma forma me ajuda nas dores emocionais, também li algo sobre essa sensação do abraço acalmar pessoas com asperger. somos todos a mesma coisa. somos repetições. somos únicos.
estou aqui, tá?

sexta-feira, 8 de julho de 2016

os bons

Os bons morrem cedo.
Dessas frases bobas que soltam para consolar um ente querido, que tentam explicar os ocorridos sem explicação. Dessas frases que acalmam. Dessas frases que doem. Dessas frases que veem acompanhadas de uma sombra nefasta. Dessas frases que arrancam um pedaço de ti com um sorriso de canto.
Não dá para esquecer do olhar, do sorriso, da bondade. Eram três características que não passavam jamais despercebidas. À sua porta existia um portal que impedia que qualquer mal entrasse, e era renovado às 18h com um terço. Eu te amo tanto.

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Persona

Olhos grandes. Sangue. Silêncio. Preto e branco. São tantos o processos - são todos os amores.
Como pode uma força inexistente manter algo aceso por décadas?
Dois jovens. Dois estados distantes. Milhas. Muitas milhas. Não existe a hora certa de arriscar tudo e tentar por fim. Existe, pois, um momento de perceber que não existe hora certa? Que horas.
É um prego. Uma mão. Pregação. O sangue goteja - como quem não tem pressa de se deslocar. O sangue, pressionado, sangra. Eis que se pergunta: quem mais precisa de sangue? Eis que se responde: o mundo não foi feito para justiças. O sangue se esvai sem nenhum propósito. Fuga de pressão. 
O amor é a cura. O amor é uma doença. As mesmas pessoas falam as mesmas coisas e isso não faz nenhum sentido. A vida é "in". Tudo que acontece fora disso não. São acontecimentos. 
O silêncio, no fim, é o que temos. É o que os dois jovens tem. É a ousadia da vida real. Lá fora temem o silêncio - gritam, sussurram, conversam. São muitas cores, adornos e imagens. Falta o pretoebranco.