Há limite para a tolerância (o título passou a ser questionado por mim durante a digitação do texto)
Volta Joana sorrindo após meses de desaparecida, casou-se, foi infeliz e viveu solteira para sempre.
não, não, não: Joana volta viúva, nunca pensou em separação, era apaixonada pela mente do marido, que carecia de outras qualidades (coisa sem importância diante do cérebro). Admirava-o dormindo, de perto, de longe, ela admirava a maciez de seu sorriso, não tinha medo de sua mão, gostava de sua fé, sorria como o pôr-do-sol e sonhava ao se esquecer da finitude da vida. Acreditou na união eterna, mesmo que por alguns segundos e alguns abraços. Talvez por ter tido medo, morreu sem ninguém saber realmente a causa da morte, e os médicos disseram em uníssono: "Joana, nem ele explicaria". Mas Joana continuou viúva-viva, às vezes sofria (pouco), chegou a pensar no céu e no inferno, na verdade era atéia de coração, as pessoas não lembravam se ela sempre o fora, mas agora sabiam o que ela era. Pensava no passado demasiadamente, não sofria sempre mas chegou a se arrepender sete vezes por não ter levado "sua mente" ao médico do décimo nono andar, teve receio da sociedade e odiou a sociedade até ser tolerante novamente. Fingia que nada mudara, sabia que agora era outra pessoa e pensou em se mudar novamente, pensou em vão: pensou por não haver o que fazer na sua situação.