segunda-feira, 11 de maio de 2009

Não há vontade, em mim, por hora, de viver eternamente. Não é desejo de ser mais mortal que qualquer pessoa, o que não se quer aqui é enterrar todos os corpos que emitiram calor para mim, viver eternamente seria uma noite de insônia infinita, seria chorar e cansar. Mas, sendo pai, iria querer viver muito e morrer na hora da morte de meu filho, de preferência já velho e que ele esteja compreendido de que "deu tudo certo", que eu espero que tenha dado. Sendo pai, iria estar feliz em enterrar todos, sabendo que ainda poderei proteger meu pedaço, minha cria, o eternamente indefeso. A paternidade, em mim, me assusta, pois sei que teria uma vida das coisas que poderiam ser feitas e não foram. Iria mudar todos os conceitos fixados em meus nervos, eu seria como um cupim, eternamente dependente de meu protozoário. Não choraria saco meu protozoário morresse, iria junto, meu corpo é reflexo de minha alma. E esse meu medo de ser pai é depender de um humano para ser humano.