quarta-feira, 25 de agosto de 2010

moça

a moça de azul flutua pelo chão, ninguém seria capaz de julgá-la humana, errante, ser que pisa, que pesa. a moça de cabelos azuis calmos, sorriso amarelo, olhos bege. todos os olhos, todos os rostos, tudo reverencia-a, como obrigação de um súdito para com a sua rainha, mas sem saber que é rainha, ninguém sabe da rainha. a saia de algodão parece seda em seu corpo, corpo comum.
a moça que nunca se destacou em nada, mas que sempre atraiu todos os olhares, elogios, e suspiros. ninguém percebe o amor por ela, porque dela parece nada emanar, parece seca como terra de deserto. mas é tão úmida, coitada. já é tão pouco e o pouco que é ninguém enxerga. mal sabe que a acham seca, mal sabe que aquele corpo é dela, e que pode viver dele.
a moça de azul conhece um moço, assim como todos os outros o moço também não tinha cor e por consequência será chamado de moço cinza1. O moço cinza1 logo se encantou por ela, mesmo sem saber explicar em seus textos o porque de tal encanto. não conseguia elogiá-la fisicamente, nem socialmente, eram palavras que não existiam, e sua alma nem tinha boca.
logo o relacionamento teve início, ele encantado sem saber o porque, e isso o deixava angustiado e amedrontado, poderia estar amando pela causa errada, poderia estar amando por não saber o que sentia por ela, poderia ser a cor, mais viva do que a própria moça. todos aprovavam aquele caso silencioso.
começou a ficar lilás, ninguém percebeu, sutil. suas saias agora eram três centímetros mais curtas e seu batom havia ganhado cor, cor de verdade. os olhos avermelharam-se, a bochecha passou a fingir-se rubra






não quero terminar esse texto.

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