Existem inúmeras causas para que os comentários não sejam permitidos neste blog.
As pessoas costumam ler textos e comentá-los, contanto se não estamos em mais uma avaliação rústica e equivocada, porque então ainda a vontade de comentar? Talvez aquele espírito competitivo que muitos buscavam se afastar acabou se consolidando internamente, a vontade de ser o melhor "entendedor", como se fosse possível entender tudo de um texto alheio. Principiando as causas, essa é a primeira, tentativa (talvez vã) de podar um sentimento tão mesquinho e (in)consciente. Certa vez os comentários em meu blog eram livres, como uma liberdade ridícula, e percebi que grandes leitores eram grandes distorcedores, percebi que após o primeiro comentário o caos se completava magnificamente e todos os demais passavam a ser permeados por idéias do texto que nem existiram um dia. Resolvi por fim cortar as asas de uma liberdade cara, ela custava meu suor, resolvi ser mais sincero comigo e troquei o prazer de ler um comentário por um vazio cheio de interrogações. Além de todos os pormenores existem algumas outras causas, algumas que lembro agora e não comento, outras que só vou lembrar ao publicar esse texto. Mas antes de colocar o último ponto, lanço uma ultima justificativa (tão desnecessária quanto as outras): sem comentários não há certeza, nem em quem escreve nem em quem lê.
domingo, 31 de maio de 2009
quarta-feira, 27 de maio de 2009
Inevitavelmente a boca fica seca. Vazia.
Independentemente passa. Esvoaça.
O vazio é o que sempre fica, volta, evasão não-instantânea. Como não aprender a amar o que sempre está presente, ausente, estabelecimento de probabilidade: gozar o vazio. Ficam dúvidas, dúvidas não precisam acabar, aprende-se a lidar, ligar para São Pedro e pedir para falar com Deus, perguntar as coisas que são dúvidas e ouvir: "Se ainda não divulguei as respostas é porque as dúvidas te interessam". Distância concreta é vazio, evasão, e dissipa-se em minutos o que dura anos.
Os olhos não falam. Não se pede palavras para quem olhos tem, para quem ainda tem um sistema nervoso jovem, novo, forte. As palavras não são pedras por poder machucar ou por "serem eternas", elas são pedras por poderem se despedaçar ou despedaçar o que a pele constrói. Palavras tem hora, verbalizar é temporal. Silêncio. As sublimes coisas não podem ser verbalizadas, tenta-se, caem. Os olhos olham, não precisam se apoiar no "falar-da-boca" para se consolidar. Os olhos olham, pele toca, nariz cheira, todos sentem e não precisam falar, mas a boca que fala olha toca cheira e sente. Os olhos, não falam.
domingo, 24 de maio de 2009
carta de hospital.
Filho, parabéns pelos seus 21 anos. Primeiramente te peço que não culpe ninguém por não ter te contado que eu estava doente, não se zangue com sua mãe, ela nunca cortou tanta cebola quanto te dizia naquela época. Foi difícil convencer a todos de que teriam que mentir, mas foi o melhor que pude fazer. Espero que agora que chegou ao limbo da vida entenda que com 6,7,8 anos você não entenderia que seu pai era humano, que perecia. Escolhi não umidecer sua infância com lágrimas de uma família inteira, além do mais porque algumas delas seriam secas. Eu te amo tanto filho que dói mentir para você, dói fazer os outros mentirem pra você, mesmo que seja para não te ver triste e temo que você passe a me ver como um covarde, mentiroso. Estou com saudades, não estou viajando a trabalho como lhe disseram, estou internado, esmorecendo, querendo que cada pedaço de vida que sai de mim vá para seu peito, porque é uma dor que chega a não se sentir nada, a dor de te deixar no mundo, mesmo sabendo o quão sua mãe é amor. Lembro de você aprendendo a falar, andar, desenhar, riscar paredes, a dizer com os olhos tudo que sente por mim. Agora, com 21 anos você é do mundo, e o mundo já sabe disso, o mundo esperou 21 anos por isso, como eu temia esse momento, mas chegou e se você está lendo essa carta é sinal de que não resisti aos intemperes da vida, não pude te abraçar essa manhã, te dar uma caixinha pequenininha com um embrulho mal-feito contendo a chave de uma moto, um choro contido, orgulho. Apesar de eu não poder ter feito nada disso e de não estar presente desejo para você o maior sentimento de satisfação e liberdade, porque vivo ou não algo meu neste exato momento que você está lendo esta carta está concomitantemente vibrando só por você. Não sei se serei alma, espírito ou apenas matéria inorgânica, eu apenas consigo te amar como se você fosse muito, muito maior que eu, e eu uma pequena parte de você. Realmente dói pensar que você pode receber essa carta, que você pode chorar, mas sempre quis que soubesse que meu amor por você ultrapassa a vida.
segunda-feira, 18 de maio de 2009
Um domingo que começou como quem queria ser segunda. Ainda havia suspiro de sextas-feiras, mas era domingo, então ele resolveu viver o dia. Calor de desconcentrar. Estava tranquilo, era um domingo café-com-leite mas sem o café com leite de sempre. Fez coisas que não planejou, se surpreendeu com o que deveria ser previsto e dormiu assustado após rir como uma hiena de desenho animado.
Assinar:
Postagens (Atom)