domingo, 29 de janeiro de 2012

Hey,

não vai assim não, com esse passo apressado, essa camisa amassada, essa marca roxa no pescoço. Não tem ninguém te esperando lá fora, o portão está trancado, o calor está demais. Fica mais 5minutos, os mesmos que sempre evito pedir mas acabo pedindo por medo de demonstrar saudade da forma errada (daquele jeito que você não entende e resmunga com os olhos).

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

cartão de natal

O tempo passa, o tempo corre, é tempo de natal e só consigo ouvir nosso muxixo-conjunto “pff” “tsc”. É tempo de natal, então vamos aproveitar para dizer que o tempo passa, que o tempo nunca foi de esperar. Dizer que a melhor coisa que existe no tempo é a sua passagem, a maneira como ele nos faz querer viver, querer progredir, querer alterar as coisas, resolvê-las. A gente, que tantas vezes pede para o tempo parar, para o tempo correr, para o tempo se alterar... Uma hora acabamos frente-a-frente com o tempo, e eis que ele diz “sou o Tempo” e percebemos que isso é tudo, que ele deve continuar assim, o puro, o imutável. Por muito tempo nos recusamos a segui-lo, obedecê-lo, certamente por medo do comum, do cotidiano, visto que tudo que é comum, cotidiano, está exposto ao risco de parecer indolência, de parecer impensado.

Esse mesmo tempo que passa, no relógio, te mostra uma coisa muito curiosa: ele se repete. Logo, o que parece irremediável, imutável, o que parece não ter conserto, estar fadado ao erro, na verdade não está, e ali os ponteiros dão uma volta e todos se alinham novamente para um novo começo. É com um imenso sorriso que digo: todos os erros podem ser apagados, todas as mágoas desfeitas, todo o amor recriado, agregado, elevado. Não que sejam tempos de sol, de natal, de ano novo. Nesse tempo (infinito) que se renova ando vendo um mundo grande, imenso, tem sido difícil lidar com o tamanho do mundo. Um mundo de possibilidades, de mudanças, de renovação no sentido mais visceral que você puder imaginar. Dá pra sentir que as coisas podem mudar, melhorar, florescer. Quanta palavra boba, até parece que somos plantas que florescem.

Antes de qualquer coisa o tempo é seco, impalpável, antes de qualquer coisa o tempo é grosseiro, intolerante. É preciso saber lidar com o tempo, saber usá-lo. É preciso saber lidar com o tempo e com si mesmo, a sinergia é grande.

Sem data, sem assinatura.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Acabei de lembrar uma coisa: disse para mim mesmo que escreveria um texto para você assim que chegasse em terra de sol. Cheguei ontem, de nada lembrei. A pouco lembrei que tinha escrito um texto para você, sem muito intuito, sem nunca ter enviado, escrito e publicado em datas erradas, assim, então, me parece que nada foi escrito em intuito nenhum.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

_...

...
_Ei, o que é que você está fazendo aí?
_Esperando.
_Esperando o que? Ai.
_Ai?
_É. Ai! Não sei o que você está fazendo aí.
_Estou esperando o tempo, ainda faltam quatro anos.
_É verdade, tem toda aquela promessa.
_Tem! Toda.
_Pare, não fale como se fosse tão óbvio assim. Esqueço às vezes.
_Esque-ce?
_Não, eu lembro, mas a vontade às vezes se sobrepõe. Como você está preciosista hoje!
_Eu? Saudade.
_Pare. Acho que vou te ver no próximo ano.
_Jura? Mas já vamos firmar o compromisso?
_Não sei, é confuso isso.
_Lá vem você e sua mania de confundir as coisas.
_A saudade tem cor.
_E tem?
_Preto.
_Nossa, que cor você inventou para saudade. Não poderia ser vermelho?
_É que eu acabo fechando os olhos, aí fica preto.
_Vem cá, vem!
...

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Poeira

Estamos deitados estamos quentes estamos parados estamos andando estamos andando lado-a-lado estamos andando estamos rápidos não podemos nos acompanhar estamos andando não sei quem está mais rápido quem vai chegar primeiro estamos andando um-passa-o-outro estamos em movimento estamos andando mais rápido estamos ofegantes não há cansaço estamos andando estamos chegando estamos andando sentimos a terra entre os dedos sentimos o calor de um chão que parece não conhecer a noite estamos andando mais rápido estamos fingindo corrida estamos mais rápidos não sabemos mas estamos estamos mais rápidos estamos sentindo o calor como brasas afiadas mas o sangue também está quente estamos mais-e-mais rápidos estamos andando muito rápido estamos chegando ao limite estamos entre o caminhar rápido e a corrida estamos no meio do caminho estamos estamos andando muito rápido ou estamos correndo não estamos nos vendo não estamos perto ouvimos o barulho um-do-outro o arfar dos pés na terra seca estamos de algum modo no mesmo ritmo estamos correndo somos como poeira agora não somos como o vento que só deixa o rastro poeira estamos deixando poeira duas linhas duas linhas de areia erguidas somos apenas a causa deixamos a areia como rastro estamos correndo o fôlego começa a faltar os pés não pisam mais o chão eles flutuam em carne viva em velocidade indolores e corremos corremos muito não chegamos nunca chegamos mas corremos como quem acredita estar no caminho certo como quem acredita em caminho certo corremos corremos tanto você sente o quanto corremos ou será que não ou existe algo maior ou o caminho está errado corremos corremos como quem voa alto como se não existisse nem nuvem continuamos correndo não mais lado-a-lado porque só sobrou o correr só nós resta correr.