quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

um gostar de um estranho gosto (16/02/09)

Gostar do cheiro de algo que não se gosta parece ser meio (completamente) estranho, já que o cheiro remete a coisa em si. Gostar do cheiro de certos vapores com partículas acinzentadas pode ser até explicável quando se traduz (se define) tal gostar como um gostar não do próprio cheiro em si, mas gostar de imaginar a origem (recente) deste cheiro, deste vapor quente que se concentra até não poder mais, esquentado por milhões de células, pelo pulsar do peito, pela agilidade sanguínea, atrito, tentar aproveitar o pouco que se tem de bom naquele ar, roubando o ar que não se pode guardar. O gostar do estranho passa a ser gostar do comum, gostar do que todos gostam, a menos que não se goste.

16/02/2009

Não gosto do termo "ironia da vida", mas talvez ninguém goste. Quando se ouve pela primeira vez, aproxima-se até da poesia sem rima, e bela, depois vira lixo irreciclável, incalculável. Aceito por hora o que define o que mal sei nomear, ironia... vida!

(16 de fevereiro de 2009)

No começo a dor é fingida, até que se esquece de fingir, e sente, a dor que não deveras (de fato) sentir.



quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Existem seres humanos que nascem para sofrer, nada além do puro sofrimento. Luca era exatamente deste jeito, nascera exclusivamente para sofrer. No começo ninguém suspeitou de tal acontecimento futuro, sua mãe morreu no parto, durante duas semanas seus familiares usaram preto, até raiar o vermelho-brasa, o amarelo-fogo e todas as outras cores que pareciam ter vida própria, ele começou a sofrer assim, com as cores. Cresceu muito e nunca gostara de cores vivas, preferia o bege surrado, o cinza de uma tarde chuvosa, o branco das plumas de um cisne digno de balé. Diziam que ele era anormal, um louco, com todas as vogais que a palavra exige pronunciar. Foi ao psicanalista, pois não sofria do mal do daltonismo e sua visão era "próxima à perfeição", riu muito ao ouvir isso do médico que usava um óculos que parecia pesar, deveria até sentir inveja do "grande louco". No psicanalista ele se acostumou a contar seus devaneios, e acreditava que não estava falando para um psicólogo ou psiquiatra, muito menos um psicanalista, afinal não acreditava em tal profissão, mas frequentava, falava, e um dia, uma terça ensolarada, descobriu que sofria, ele chorou, não tinha cura, era alérgico à hipocrisia, pobre Luca.

(09 de fevereiro de 2009)
certas coisas são difíceis de se admitir, mas dizem que admitir o erro é o primeiro passo... reconhecê-lo... e depois de feito? o que se tem a fazer? o que se tem a fazer quando nada pode melhorar. Então parece que qualquer atitude piore tudo! Mania besta de amar o que não se tem, o que não se pode ter, ... Em alguns casos chorar não adianta nada, parece que deixar por "ser" é a melhor atitude possível, ser passível de qualquer opinião. Não é bom derrubar alguém "na rede".

(começo de fevereiro, coisa da primeira semana e tal)