o conceito de loucura me intriga. me intriga por diversos fatores, espero saber enumerá-los sem me perder em um ou em outro. Começa a me intrigar porque a palavra existe, foi criada, nasceu não sei como, de parto e pais talvez desconhecidos por todos, mas com certeza desconhecido por mim. Deve-se saber a primeira vez que tal palavra foi escrita como uma denominação científica, mas isso não me importa muito, e acho realmente que não deveria importar. Outro ponto que exploro com frequência é quem nomeia o louco, o porque que nomeia, como se nomeia, a partir de que referencial tal definição é aplicada? me irrito. me irrito com a maneira que as pessoas enxergam a loucura, e me irrito por (eu mesmo) usar (agora) essa denominação (vista por mim mesmo como ridícula) por falta de uma denominação... adequada.
não se comenta a beleza da tal loucura, como se não existisse nada de belo nela, como se fossem monstros que devem ser enjaulados, apesar de o "bom-senso" não permitir que se diga isso. o nome disso tudo é hipocrisia, mas ninguém é hipócrita... e a sociedade toda é hipócrita...? como assim? acho que falei demais, agradeço por não estar na década de 60, mas espero que alguém agradeça por não ter vivido na década de 2000, de 2010... espero.
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
pensar no céu, no seu, no chão.
A viagem como estrada é algo que me agrada bastante. Na estrada me sinto livre, apesar do cinto, das travas e das regras. Acredito, ouso dizer que acredito, que são as regras que me deixam livre. Com o não poder estudar, ler um romance, ver um filme, entrar na internet, ir à um local aberto, todas essas (e outras) proibições me libertam. A música selecionada, os óculos para disfarçar os olhos cerrados de preguiça e o cérebro a mil, o vento forte na face, sem preocupações momentâneas, congelando o sorriso audacioso, isso sim é poesia: um tempo livre, um tempo seu, pensar no céu, no seu, no chão.
(escrito ontem)
(escrito ontem)
sugando um pouco para deixar algo sempre disponível.
Deixa-se de gostar do cheiro de qualquer vapor cinzento, não por causa do próprio vapor, mas por não haver o vapor, àquele vapor. O outro cheiro é ainda melhor, sede do cheiro a todo momento, não há o que fazer, quase sono, uma leitura, o sono bêbado (o mais sóbrio). Não há de saber de fato o que faz, se soubesse... meu Pai!
Não há quem deva saber, deixo os dentes à mostra, apenas por preguiça de esconder alegria, alegria é fogo (é foda, é fogo). E se o sol queimar, ou se não houver sol, o que há de acontecer com o sol?... falo como se me importasse com o sol, o sol é desculpa, desculpa grande e quente, como usar o muito para o aparentemente pouco... e muda o gostar, o cheiro preferido, mais que o cheiro. o local, apoiado, cheirando, sugando um pouco para deixar algo sempre disponível.
Não há quem deva saber, deixo os dentes à mostra, apenas por preguiça de esconder alegria, alegria é fogo (é foda, é fogo). E se o sol queimar, ou se não houver sol, o que há de acontecer com o sol?... falo como se me importasse com o sol, o sol é desculpa, desculpa grande e quente, como usar o muito para o aparentemente pouco... e muda o gostar, o cheiro preferido, mais que o cheiro. o local, apoiado, cheirando, sugando um pouco para deixar algo sempre disponível.
(17/02/2009)
17/02/2009
Para que esperar do outro,
o outro,
deixar por fazer,
apenas
faça.
O fazer é verbo,
engolem-se palavras, classes gramaticais,
engole-se definição.
importa,
comunicar,
não-erro,
Apenas faça.
o outro,
deixar por fazer,
apenas
faça.
O fazer é verbo,
engolem-se palavras, classes gramaticais,
engole-se definição.
importa,
comunicar,
não-erro,
Apenas faça.
um gostar de um estranho gosto (16/02/09)
Gostar do cheiro de algo que não se gosta parece ser meio (completamente) estranho, já que o cheiro remete a coisa em si. Gostar do cheiro de certos vapores com partículas acinzentadas pode ser até explicável quando se traduz (se define) tal gostar como um gostar não do próprio cheiro em si, mas gostar de imaginar a origem (recente) deste cheiro, deste vapor quente que se concentra até não poder mais, esquentado por milhões de células, pelo pulsar do peito, pela agilidade sanguínea, atrito, tentar aproveitar o pouco que se tem de bom naquele ar, roubando o ar que não se pode guardar. O gostar do estranho passa a ser gostar do comum, gostar do que todos gostam, a menos que não se goste.
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